quinta-feira, 11 de novembro de 2010

PUTTY.

VAMOS a um raciocínio básico:



I) Se Ulm não é peixe ou póvora, então é Putty.



II) Não gosto de pombas porque parecem rosmaninhos.



III) Good Night DIN DIN DIN DIN DIN DIN....



IV) Esqueci. (1,2,3,4,5,6,7,8,9...) Mas é algo que tem a ver com batatas!



V) *_*



VI) A: Inh!
B: Inh... Ninguém foi.
A: MENTIRA!

CoNclUsÃo:

Não gosto de enseadas!!!!!!!

E tenho dito, Putty!

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

A CARTA

Dodô,

Ah! Meu amor... sinto falta dos bonfés!!! Um, dois, 15. DOIS XIS DE BONFÉS!

Eu não estou tomando os remédios. [e não faça essa cara de Grito!] Não tomo! ... Eu só engulo e desgulo. Preciso ficar acordada, querido. Mas DodÔ, só tu podes... Eu preciso e não posso, não consigo. Meus olhos não aguentam ver; minha lucidez, Dodô, pode não o ser.

VEJA! Essa carta pode ser um sonho. Ou não. Tu Dodô. Tive medo de tu não existir, assim como eu. [Rio!] Somos criações patológicas de um pato!



Só porque eu ri disso que disse, isso não faz de mim louca, não é? Porque me chamam de louca? Ai, meu Dodô... ... ...

Por falar nisso, preciso te dizer ( queria dizer quando tu viesse, mas não) Eu MaTeI ArTaUd! E acho que me matei também, mas não tenho certeza....



Ai meu amor, amor meu, DESENTENDA-O. Eu estou no limbo, não só por causa desse croissant, o Artaud, mas porque.... eu vejo demais, não não é isso! Mentira, é porque eu vou cada vez mais pro fundo.... e pro fundo.... E não dÔ pé! Se der.. quando eu chegar lá eu já não vou existir. Porque se eu já estou assim agora, enquanto só me afogo, imagina ... [risos].



Ontem tu vieste me ver! Durante a noite, não é? HÁ! Eu estava dormindo, sim, mas quando eu acordei, no chão tinha círculos! tu não me escapa, seu espertinho!



Dodô? Tenho medo. O vazio entulhado é tão opressor. Gosto quando tu me abraça, porque eu fico. Aqui eu não fico, eu explodo, pra dentro. Implosão. TUdo.


Dodô? Eu não aguento mais tanto tempo... Meu tempo é outro... Ele não voa mais, ele anda! ( sim, já usei minha flecha) . E quando isso acontece... ai se eu pudesse descrever com essas que me traem... toda a poesia! Que morre ao nascer e jamais se repete, para sempre jovem e inspiradora. Mas só eu vejo esse retumbar de cores e figuras trági-cômicas. Só ninguém vê. Isso faz do que me habita insuportavel e triste.

Não é triste, mon cher, que por eu ver e ser isso tudo eu tenha que ficar aqui? Eu ainda me pergunto porque tudo isso é branco. Em cima, baixo, lados...pelos menos é fofo. Fico contente em saber que o branco é todas a cores juntas. {ri}.

Tenhos várias cores, viu DodÔ? TUdo fofo. Não se preocupe, eu sei que tu disse pro médico que o silêncio enlouquece. Mas eu não tenho medo da loucura! Chega uma hora que é meio irônico. Aqui tem muito barulho.! De mais...sinfonias...mas hoje é metálico e agulhante. Sim sim, querido, tem agulhas na minha cabeça! Eles não param de disparar agulhas...

Doer dói mas já aprendi a dançar. EU me esforço tanto DoDô.... antes de eu entrar em estafa... (gosto dessa palavra, me lembra sofá que me lembra descanso)...eu queria saír do verde contigo, mon cher. COmo fazíamos..passear e dançar e tomar chá!

Vou partir.... Venha logo me ver!

Mas venha quando eu puder lembrar!

Lembrar Dodô, outra coisa que não posso deixar que suma de mim.... Nao posso.

Beijos de bombom.... e de máscaras.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

PAPILLON

CeNa I: Bambambambá.

Nunca vido na vista cousa como essa. Velho homem, homem velho. Sou um andarilho e me ilho na ilha dos meus anos não contados. Quem disse que eu preciso pisar no tempo? Eu tenho uma flecha!

X: Porque parece não saír do lugar?
B: Mas não sai.
X: E então?
B: Mentira.

Onde estás tu? Eu não estou aqui! EU nunca estive aqui.. OUVIU? Eu
nao
estou
aqui.

Neste lugar desenhado... EU NAO ESTOU AQUI...
nao aqui estou . estou nao eu aqui .

jamais estarei. Jamais.

CeNa II: à ninguém.

Estás me vendo?

Eu sei. Nao.. mentira! Não sei... Não, mentira! Sei! Muito bem! Não, mentira.... NAO SEI.

TU me ouves? Não vês como meus pés nunca se movem mas meus olhos não páram?! Não vês como minhas mãos voam como hélices flutuantes? Não queres dançar?

Dancemos! Prefiro que sejas cego, mon amour, cego! Não repouses teus olhos sobre mim se não for pra me desnudar.

Que sejas um cego! E aprendas a ver com ... com...

I cry all night and smile all day.

É por acreditar no mundo que eu desacredito. E é porque eu desacredito que eu acredito. E assim vai...

CeNa III: ....

Eu não caibo em mim.

Eu não sou eu.

Eu não tem sentido a nao ser que... ... ... .. ...... ..........

Quanto mais eu perto chego, mais eu quero entrar.

Eu carrego tanto peso, Serafim. Tanto peso, meu velho homem. Serafim!!! Páre de roncar homem! (pausa) Serafim? Pesa tanto... Não nao, dei-me, eu carrego sozinha. ROnque, Serafim, ronque.
Ai! Vo carregar dentro d´agua! OCmo não pensei nisso antes, serafim? O peso não é o mesmo!

AHH SERAFIM! NAO RONQUE....VEJA! EU FLUTUO! E as coisas também! . Serafim?
serafim?
serafim?
Respire!...

MOrra.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

DISSOLUÇÃO.

Não sei o que.
Não sei... Sei. Oi?

Eu acho que tá quase, só mais um pouco..Mais, mais! A!!

As coisas parecem atômicas por aqui por dentro. Costumam explodir sempre, mas hoje explodem de uma maneira incomum. Explodem tanto e tão forte que o que é tocável em mim fica imóvel.

Eu sei que duas coisas opostas são impossíveis. As antíteses, os paradoxos, os modelos atômicos aneutronados.... tudo isso está fadado à segregação violenta das partes. Logo, se eu sou uma antítese (o dentro quer mover-se e o fora é estático..) se eu sou um aparadoxo inegociável... logo serei acomedita de uma explosão irreversível dessas minhas partes tão... Tão... Espumantemente Alcoólicas (nao sei porque disse alcoólico. Não sei mesmo. Não bebi nem hoje nem amanhã).

Quando eu segregar-me inteira acho que minhas partes serão atraídas imanticamente para um núcleo de forças. Ou não.

Ou as pessoas podem fazer como no carnaval! Minhas partes antitéticas seriam os confetes coloridos que cada um pega um pouco e joga pra cima! E caem e ficam petit pois no chão...e depois jogam e caem, jogam e caem... !

Eu poderia ser um confete.

Um Roxo e um Branco. Não, um branco e um preto!

Existe confetes brancos? Gosto do branco porque ele é todas as cores juntas! Gosto do preto também, que é cor nenhuma! Não... De novo Não... Não! ..... .... .... Façam um quando for minha vez, por favor.

sábado, 10 de julho de 2010

AI!

Tem coisas que a gente não explica. Ás vezes eu tenho uma vontade enorme de chorar, como agora. E não é por nada, é por tudo! Não que o nada não fosse alguma coisa...

T.: É pelo que, B.? Você sabe o que é!
B.: Eu sei, mas não vou nomear. Não porque não quero, mas porque não posso!

Sabes, nem tudo precisa ser nomeado. O nome trai de qualquer forma! O fato é que eu choro. De mim verte água que não lava, parece que inunda.

I´m lost in the ocean. Meu corpo no mar, imerso no Novo Mundo. Minha cabeça cansada e voltada para a imensidão deserta do Velho Mundo, porque precisa desse velho ar.

O que eu faço, me afogo? Tento respirar na água do Novo Mundo? e o que eu faço com o Velho...

Ai.

Quero virar o mar pelo avesso. tudo tudo backwards.

´´ Oi nós, que viemos de outras terras, de outro mar!``... Eu ainda preciso acreditar que um grego pode falar, em grego, com um árabe e esse em árabe com o grego e eles se entenderão. SIM!

Dor.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Bebecões cão

CeNaI: Depauperamento.

Maquina erguida por silêncio mágico. Principescos náufragos perambulantes no vácuo.

Tu sabes o que é o nada? Eu não sei. Ninguém sabe! Ah, sim... Não vou saber descreve-lo e nem tu vai conseguir imaginar..MAS O ESFORÇO É PRECISO: branco.

Subiu descendo a escada desfeita em esteras tijolares.

CeNa II: Tá.

Al: OLha isso aqui.
Pb: Aham.
Al: Viu?
Pb: Quer bolacha?
Al: Ninguém foi.
Pb: Ah que bom, ele foi?^^

FOI QUEMNEM... Olha um cão! Eu posso chamar um cão de cão, porque quando eu olho pra ele não há melhor som ou nome que esse. Um bebê cão. BEBECÃO...B-e-b-e-c-a-o. Parece uma daquelas ervas de tempero: Vai Bebecão no chá?

DOIS cubos por favor, em forma de bolas, bolotinhas... e com espuma!

sábado, 26 de junho de 2010

DOS PULSOS DE MOZART

É noite. E o quarto estava escuro, não verei luz escapar por baixo da porta.
Entrei. Abriu-se. Uma vela, somente a luz de uma vela pela metade, ele, uma mesa.

A mesa... sustentava uma chaleira vermelha, arredondada, grande. Estava frio e a chaleira rubra respirava e fazia fumacinhas pela boca. Será que ela brincava? Eu bricava, toda vez que saía manhã a dentro, 2 GRADOS abaixo de zero. Fumacinhas dançantes pela boca e pelo nariz.

Ao lado da chaleira, a cuia. Prata, pequenina mas não o bastante para sumir frente a chaleira. Tinha erva fina e água até a boca. Também ela soltava fumacinha. Deveria estar quente. Meu corpo estava frio... ... senti o gosto de outrora, da nova infância, do pampa gaudério.

A vela logo ali e então, a máquia de escrever que sucumbia aos dedos dele: amigo. Camisa azul... Ele não estava com frio? barba grande... escrevia seu romance. E seus pensamentos pareciam tão afoitos que lhe escapavam pela boca, no seu idioma silhuetoso, vacilante, quase como várias curvas cruzantes de um compasso a girar.

Mirei seu pescoço. Onde estaria ele agora? este meu amigo que olhava para mim como uma irmã? PORQUE? O que foi feito dele, por onde passou aquele cabelo, e aquelas células, o que as modificaram? O que as mataram, o que as fizeram crescer? Por que tipo de ventos sua tez foi cortada? Onde dorme, meu carinhoso e livre amigo? Será que o tempo, essa ave que um dia flecharei, que tipo de marcas fez nessa face amiga, com suas garras?

Olho para o branco da mesa. Espaço vazio. A luz... como comunicá-la... Era a luz em que Beethoven, nas noites frias, escreveu a nona, no auge da sua agonia surda e gélida. O penumbra e a vela. Essa luz exatamente! Eu quase podia ver os pulsos de Mozart com as mangas de babado branco, atravessando a noite cavalgando melodias.
Olho para o lado e ouço..sim, a sinfonia! é da minha cabeça ou algum vizinho escutava?...

Meus olhos se inundam. sinto saudade da chaleira, do mate, do amigo. Temo por ele. QUero todo esse espaço gravado na minha alma. Sinto saudade.

A mesa, a chaleira, o mate e o amigo estão aqui. Sinto saudade do presente que vejo. Meu corpo co-habita com eles. Minha alma está em um não-lugar. Os vejo e me vejo décadas depois... Porque peguei carona nas asas do tempo, nesse segundo de contemplação

Ao meu amigo... deste não lugar em que estou e e um dia encontrará meu corpo que aqui estava... digo que o vejo como uma bandeira que tremula. O chamo liberdade.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

O SONHO

Meus olhos se abriram fechados. De minha cama.

Levantei-tarei-to... Pisava eu em ondas? Circulava em meu corpo o álcool que bambaleava e cambaleava meus pés em uma dança frenética?

Ruído. Música... Rock and Roll assusta-dor!

O guarda roupa dançava...bem como o corredor, por qual andava em curiosa dificuldade, e me esmagava pelas laterais e pelos cantos.

ESCADA-RIA... descida a passos falhos...

AMUSICA RUÍDO AUMENTAVA e não pedia licença a meus sentidos.

Até que... fim da escada, começo da sala e... O HORROR. Pisava o teto! Tudo estava invertido, ao avesso, de cabeça para baixo... o sofá...a tv, a mesa... A tv caiu no chão-teto em que estava...

PLAFT..FINN..RSIUTCHUO. atrás de mim, como eu...Patrícia, fefa, Jessy encolhidinhas tentando inutilmente mudar o canal distorcido..

Elas tremiam em convulsão... Eu tremia em terremoto. Olho a frente e um velho, gordo, camisa branca manchada aberta, com um cigarro na boca e forte cheiro de rum. Minha boca abre:

- QUEM ÉS TU?
- EU moro aqui.
- Nao!
- O ÁS nunca pertenceu ao baralho. Jogar é Agora com j e menos um A. O ÁS não existe, a espada é um delírio. CERVEJA!

panico me assaltou quando uma figura esguia pulava incessantemente na porta de entrada....
ROSTO TORTO, MORTO, VÍTREO.

Grito e abro a janela... Corpo nu que pende da grade...pende na diagonal de costas. Grito de Horror que sai dos poros do corpo suspenso pelos riscos férreos.

Minha boca abre de novo:

EU NÃO SOU KAFKA! Não sou Kafka! Sou Kafka! Kafka!... FKA...FICA..nao ficar!

Meus olhos se abrem pra se fechar de olhos fechados mas abertos. Convulsão. coração que bate.

ABRO OS OLHOS.

acaba pra começar.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

PEQUENO DEVANEIO DADÁ

Na ralidade a coisa se passa de maneira bstante sólidada, no sentido de que tudo é relativo.

Não há gente no sertão...Quem canta seus males espanta...Então tudo é bastante. Que de tão relativo passa a ser um tanto quanto mediada pelas aproximações.

Foram 35 entradas, na realidade.

terça-feira, 11 de maio de 2010

GRITO, EU.

CENA I: O desespero .

Pt. Brook disse: no teatro é possível experimentar a realidade absoluta da extraordinária presença do vazio, em contrate com a confusão estéril de uma cabeça entulhada de pensamentos.

De fato, tememos o vazio. Merda de medo. Uma MERDA, inclusive no sentido teatral, porque o medo me trás boa sorte, sempre foi assim. Quanto mais medo eu tenho da coisa, mais eu acredito nela. Talvez essa eme ê dê ô seja a razão pela qual eu ainda insisto em permanecer no insuportável: a banal idade.

Porque, diga-me, porque se faz teatro? ´´Tu serias mais útil com um pão na mão do que com uma batuta``. COMO? Utilidade... As pessoas não se vêem mais, isso é um absurdo! Não há diálogo, só há uma inútil e manca CONVENÇÃO.

O MUNDO NÃO EXPERIENCIA MAIS. O homem não vê, não toca, não entende a si e ao outro. Entender e experiênciar são a mesma coisa!

Um pão... o meu pão começa com T! Tão! O teatro é uma corda que puxa da lama maquinal do não humano.

CENA II: AHn?

Vivo o teatro e visito a vida. Se não for assim, não finja que é e assuma! Discursos contraditórios, falhos e hipócritas não me interessam. Prefiro o silêncio, que é sincero. Prefiro a ausência que é justa. Se pisares no tablado AJA para ser digno se ser uma coisa do ato: um ator.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

CENA 1:

''Será esse o caminho
Navegar assim, sozinho,
Sem alguém que nos espere no cais?''
...
... Dei-me conta de que sou eu a mulher com o lencinho branco a dizer adeus. A mesma que retorna todos os dias ao mesmo lugar, cumprimentando os cotidianos pescadores, assistindo o regresso dos grandes navios que chegam abarrotados de gente saudosa ... Mas nunca traz aquele que partiu. São navios devoradores, navios que trazem a angústia terrível da ESPERA e da SAUDADE.

CENA 2:

... ... Também dei-me conta que sou o ser alado que parte com seu navio...Ou melhor, Eu sou o busto posto na proa...Que abre os mares, saúda Poseidon, se aventura no infinito, nas ondas que, por vezes, espelham os céu, as estrelas... Mas quando o navio retorna nào encontro os olhos queridos... Há ninguém. Então eu me dou conta de que pertenço ao navio. As mãos que me afagam sao os ventos.

Eles.

domingo, 4 de abril de 2010

DIGRESSÕES SOBRE O PERTENCIMENTO

O que é brasileiro? Supõe-se, em princípio, que seja referente ao que provém do brasil. Não obstante, no dicionário Priberam da Lingua Portuguesa consta a seguinte definição:

1 Relativo ou pertencente ao Brasil;.

2. Português que residiu no Brasil e que regressou trazendo mais ou menos haveres.

Pois bem, se considerarmos a primeira definição como parâmetro para definir onde começa o teatro brasileiro, pensa-se: a cultura de um país na boca de um estrangeiro permanece enquanto cultura do país de origem? Ou seja, o colonizador português, quando fala da cultura da colônia, o produto ainda pertence à primeira? Obviamente que entre o que o Brasil apresenta dentro de si e o que se vê fora dele, existe espaço para interpretações próprias e, portanto distanciamentos. Contudo, se pensarmos que a caracteristica de SER depende do que a coisa diz de si, do que ela faz e do que dizem dela, inferimos que pertence ao Brasil o que ele faz (sua história fática), o que ele diz dele mesmo (a prática cultural), e o que outros, de fora, interpretam dele. Desta forma, a produção dramática feita pelos portugueses que abarca, de algum modo, algo sobre o Brasil, desde povos nativos, língua, práticas culturais, diz respeito a esse país.
É comum, ao principiarmos o estudo do Teatro Brasileiro, considerarmos a produção de Gil Vicente. Ora, esse foi um grande dramaturgo português, de um certo idealismo romântico, que falou das problemáticas de uma cultura portuguesa que ia se perdendo. Fala do que pertence à Potugal. E o Brasil? Há algo em sua produção que é inerente a nossa cultura? Tudo o que é escrito em língua portuguesa, em certa instância, diz respeito aos falantes da mesma, ou seja, brasileiros e potugueses. É claro que se deve considerar que, no período vicentino, o Galego dava a forma a nossa lingua, ou seja, o português não possuia a atual forma gramática. Contudo, desconsiderar essa produção de origem da língua que falamos não tem sentido, uma vez que seria negar uma parcela das referências da constinutição do que somos hoje.
Curioso é pensar na segunda definição dada pelo dicionário: brasileiro é português que residiu no Brasil e que regressou trazendo mais ou menos haveres. Pederíamos interpretar da forma que é brasileiro o português (ou o que provém de Portugal) que fez parte do Brasil e regressou a sua terra de origem levando coisas sobre o brasil. Isso, de uma certa forma, remete à produção dramática de Pe. José de Anchieta. Ele não tinha pretenções de uma produção dramática, embora admirasse o teatro. Também ele era provieniente de Terras Lusas, não obstante suas peças foram criadas para os nativos desta terra, apresenta a língua tupi e o português e, não há dúvida, de que a obra de Anchieta, apesar de não nascer da voz de alguém com ´´tambor na alma``, fala sobre e diz muito respeito à história e a cultura brasileira. Era a pretenção de um Teatro tímido que se produziu aqui, ou pelo menos para o povo daqui. Obviamente, sem contar o teatro marginal e laico dos colonos e muitas outras práticas esporádicas que almejavam o lugar de onde se vê.
Nos séculos XVII e XVIII já teremos a construção de um edifício teatral, nos moldes clássicos onde eram representados obras européias como Molière. Muitos questionam e até afirmam que esse tipo de prática nada tem a ver com o Brasil, mas é simplesmente a importação de um modelo que não dialoga. Mas o que somos nós, se não um amontoado de coisas injetadas de todos os lugares, uma miscelânia de coisas (muitas) que não nos diziam respeito mas que, a partir do momento que chegavam a nós, foram fagocitadas e trasformadas em uma terceira. Eis o cerne da questão: o teatro brasileiro não é genuíno, mas é dialético. Ele não é o português, não é o índio, é uma terceira coisa que é a primeira e a segunda ao mesmo tempo. E nessa terceira coisa também há espaço para coisas que não são nem a primera nem a segunda. Podemos sim considerar como teatro brasileiro o teatro importado para cá e o que foi produzido aqui, pois o Brasileiro genuíno estará no ENTRE as duas coisas.



´´Brasil, pra mim! Abre a cortina do passado
Tira a mãe preta do cerrado
Bota o rei congo no congado
O brasileiro é do choro
é entusiasmado quando cai no samba
No Amazonas, no araguaia iá
Na baixada Fluminense
Mato Grosso, nas Gerais e no Nordeste,
Pelo prazer de chorar e pelo ´´estamos aí``
Pela piada no bar e o futebol pra aplaudir
Um crime pra comentar e um samba pra distraír
DEUS LHE PAGUE!
Não fica abafado e é um desacato
As selvas te deram nas noites teus rítmos bárbaros
E os negros trouxeram de noite reservas de pranto
E os brancos falavam de amor nas suas canções
E dessa mistura de vozes nasceu o teu canto``




Sim, brasileiro é a mãe preta, o branco romântico, o Molière no cerrado, os bárbaros tambores, uma fumaça desgraça, um cálice, um teatro de Gil, Anchieta, Gonçalves de Magalhães, teatro do barulho, do proibido dizer, teatro dos atores mudos, das cantilenas alquebradas, drama das paulicéias, teatro do nada, teatro da ostentação, teatro do papel verde e da moeda enferrujada, do pouco, teatro dos becos e das cortes, teatro do grave, do pessimismo, da alegria paleativa, também da alegria sincera, teatro do que foi e não é mais, teatro do que é que já foi um dia, teatro da Maria, do Zé, de Castro, da Pena do Martins, de Plínio, do ontem e o amanhã... É um grande lugar de onde se vê.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

FALO

CENA I: pro[ferir]

Tu sabes que às vezes eu acho que quem fala por necessidade, canta? Que se é ela, essa necess[idade] que articula a boca, acaba por esculpir em flor o que se chama palavra. Esculpir em pétala... imagine só! O que acaba por perfurmar os que ouvem...

Eu decidi que só falarei se eu precisar tanto que, se não o fizer, acabarei por me desfazer em pequenas gotas roxas que mancham o tecido dos surdos. Decidi que quero que saia de mim uma melodia não musical, essa a do colóquio. E só nesse tipo de melodia que se escutem minha voz.

Esses sons límpidos, belos e semânticos... Se eles fizerem alguém chorar que seja para fazer brotar uma lágrima que também veio por necessidade. Uma gota que incha de angústia e de desfaz em alívio, lavando a face e colorindo os olhos de rubro! Ai o rubro... Não temo o choro... eu o amo! Assim como amo o sorriso. Ainda acho o sorriso mais agressivo que a lágrima. O sorriso rasga o semblante, esgarça e comprime tudo... mas é sincero. Só vem quando é preciso e, justamente por ser enfático, é tão decisivo. Liberta.

Eu tomei essa decisão.

Porque é necessário.

Porque falta.

Porque é gelado e eu gosto de coisas que refescam... Porque é fofo como uma pelúcia felpudinha... E por todas essas razões que a razão jamais vai apreender... Só quem vai além dela... Também por necessidade.

sábado, 9 de janeiro de 2010

CAUSOS CAUSÉOLOS CASULOS

CeNa I: obvidedades como?

ORORE: AB

AB` = A Be Linha

alinha a linha! Uma linha deve ser feita para ser alinhada! Entendeu? A (prefixo) Linh..ADA!

Retângulo reto rebuscadamente remarcado e revisto. Deve ser reto, viste?
Rangem os riscos e os ruídos roucos! Rangem tanto que mal posso ouvi-los. É um monte de brulharias! Só brulharias, esses sons sorridentes... Quentes de mais pro meu gosto.

H

H` = Agá Linha!

Alguém sabe do Velho Coró rico? Ele não é rico é riquíssimo.

P

P` = Pê Linha ... sinto tanto mas eu tenho peninha PELINHA de ti...

CeNa II: a lanterna

DIÓGENES: Eu procuro um homem sábio. Minha única ferramente é esta lanterninha. Alguém viu um homem sábio? S
A
BI-----O! O foco da minha lanterna é muito pequeno, será que eu consigo encontrar esse Homem só olhando pra frente? RESPONDAM-ME! Minhas laterais e minhas costas precisam ver também?

GURI: Sr.! Coloque uma luz no teto, amplia o foco!

DIÓGENES: Eu não consigo encostar no teto! Está acima de mim!

GURI: Suba numa escada!

DIÓGENES: Eu não tenho pés.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

TATARA TARANACANA

balabalabaia!

bubu tarantanã?? opópo! parameiolélis!

totura rura tara quena...

jumbemba balêle kena!

Nuenus oquetétis corococo toro

(balaba gaguenha tena
comoro comoro nhoro
nhenheca ganguenga mena)

NENHECA GANGUENGA MENA?

inhi!!!!

tranacana tatara! arara púmpino

pinarara chafara
crucrucurino

andino fino

hipópolis tétis tocos
ocus

óculos?

domingo, 3 de janeiro de 2010

FEMININO DE ´´MILHO``

CeNa 1: a balança

HEMIROCÁLIS chegou no meio da rua e gritou: ´´Onde queres revólver sou coqueiro!!``

Coqueiro!

Não era obus, era coqueiroooo! c-o-q-u-e-i-r-o! e DISSE:

Eu sinto tanto que na extremidade dos meus dedos eu toque o amor-paixão sim e não, enquanto na ponta dos meus pés eu toque minha imensidão vital, meu tablado de madeira em verniz! Eu não posso escolher entre minhas paixões, entende? Se eu me rasgar em dois... Não posso. Minhas mãos não querem encontrar meus pés e nem esses se amigam delas! Quem me faz andar são os pés! Não sou lar, mãos queridas, sou revolução! Eu te quero (CORO: e não queres!) Como sou!



CeNa 2: a foice

HEMIROCÁLIS em desespero disse:

´´ O que em mim é de mim tão desigual``. Eu quero meu tablado de verniz. Eu sou o tablado e meu verniz é a dor daquilo que, saindo de mim, me pertence. Só terei o meu coqueiro quando ficar longe. A agulha que me espeta o peito, essa dor... tornar-se-á canção para os que estão a frente do tablado. E pra mim? A distância.

HEMIROCÁLIS saiu do meio da rua e os carros voltaram a andar pendendo mais pra esquerda.

RUÍNAS...

FRASE DE ORDEM: Minta sinceramente!

É a lei básica da interpretação. Ou não? VEDE:

PRIMEIRO ATO: cenoura e chocolate

CENA I: (O que eu sei sobre o lugar de onde eu vim? )

EATER (?): Sobre o lugar de onde eu venho? Ah, eu sei muitas coisas! Mas talvez eu não pudesse afirmar com certza a maioria... MAs uma coisa eu sei ao certo: de onde eu venho, interpretar bem - eu to falando de TEATRO, ok, T-E-A-T-R-O, como o diretor pediu. talvez se aplique à vida, mas enfim - significava comer uma barra de chocolate (eu AMO chocolate) e, da MESMA maneira, com o mesmo gosto, intensidade com que como uma cenoura. ( que eu ODEIO).

Mas e aí? É?

TEATRO é ...

HUM...

é aquilo que se faz por necessidade vital. Se não o for, não temos mais o direito de fazê-lo.

CENA II: (de onde eu falo quando eu penso?)


THOUGHTER (?): Sh!
Sh! Sh! É da parte de trás da cabeça, diagonal superior. AH!


B.