domingo, 3 de janeiro de 2010

FEMININO DE ´´MILHO``

CeNa 1: a balança

HEMIROCÁLIS chegou no meio da rua e gritou: ´´Onde queres revólver sou coqueiro!!``

Coqueiro!

Não era obus, era coqueiroooo! c-o-q-u-e-i-r-o! e DISSE:

Eu sinto tanto que na extremidade dos meus dedos eu toque o amor-paixão sim e não, enquanto na ponta dos meus pés eu toque minha imensidão vital, meu tablado de madeira em verniz! Eu não posso escolher entre minhas paixões, entende? Se eu me rasgar em dois... Não posso. Minhas mãos não querem encontrar meus pés e nem esses se amigam delas! Quem me faz andar são os pés! Não sou lar, mãos queridas, sou revolução! Eu te quero (CORO: e não queres!) Como sou!



CeNa 2: a foice

HEMIROCÁLIS em desespero disse:

´´ O que em mim é de mim tão desigual``. Eu quero meu tablado de verniz. Eu sou o tablado e meu verniz é a dor daquilo que, saindo de mim, me pertence. Só terei o meu coqueiro quando ficar longe. A agulha que me espeta o peito, essa dor... tornar-se-á canção para os que estão a frente do tablado. E pra mim? A distância.

HEMIROCÁLIS saiu do meio da rua e os carros voltaram a andar pendendo mais pra esquerda.

Nenhum comentário:

Postar um comentário