terça-feira, 4 de junho de 2013

O FIO.

Ai começou de novo essa porcaria. PORQUE? São como pequenos botões abotoando errado minha camisa diária. Sempre pula um botão e daí tudo se vai. Todo o conforto e a segurança de estar bem abotoado e impecável.

Foda-se os botões. Chega de coisinhas abotoadas.. que se abra tudo! Que tudo se vá com o vento e deu. Mostrando a pela nua e frágil, que se risca fácil se bate um vento mais forte. Quero que minha pele se risque inteira e abra caminhos no tempo. Quero furar o tempo, acordei com essa vontade. Furar o tempo porque o tempo que está em minhas mãos é afiado, agudo. Poderia perfurar todo o futuro a minha frente, rasgá-lo de fora a fora, como um tecido. Já fizestes isso? Rasgar a ponta de um tecido e depois separá-lo com força... o fio se vai sozinho, completamente sozinho, como em um trilho, como se desde sua feitura ele já soubesse o caminho, vai reto até o fim, até... separar as duas partes de si.

Acho que sou um tecido e sinto que alguém acabou de cortar um fiozinho meu. Só esperando essa força que dará o disparo para o fiozinho cumprir seu caminho, até me separar inteira de mim. E o que mais impressiona é que é um fiozinho ínfimo, quase que ninguém vê..E que carrega em si todo o potencial de caos, de me re significar inteira... Meu Deus! Mas que coisa... tanto trabalho me tecendo, detalhe por detalhe, ponto por ponto, buscando os melhores fios e arremates, buscando o arremate certo, a perfeita composição! ... E então vem alguém e puxa um milimetro dos meus fios...e estou a beira de me desfazer inteira.

Acho que eu mesma vou acabar puxando...

Pá!

Pequenas observações:

Se eu mesma puxar tudo estará dito e eu serei melhor do que agora. Eu serei livre deste fiozinho. Mas eu amo este fiozinho?


Acho que vou dar um nó.

Não sei.

Vou comer uma bergamota.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

VOLTEI

Vou voltar a escrever aqui. É. Isso é sinal que tem algo insustentável em minha vida de novo. Parece que este é o lugar das não sustentações.

Ha. Me canso das palavras mas sempre retorno a elas.  São como mães...sempre voltamos, feliz ou infelizmente. Fico aflita com as coisas em ciclos. Como se as nossas sensações fossem sempre as mesmas com outras formas. Cretinas! É possível sentir algo genuinamente NOVO? Será que essa busca dá em alguma coisa nova ou é vã? Acho que é vã. Se eu já sei porque perguntei?

Bem, voltei porque preciso registrar aqui meu desaparecimento. Minha energia está se dissipando no ar, saindo de mim, me deixando em mínimo, em silêncio, em branco. Estou ficando em branco. Ainda não estou, mas estou ficando.

Hoje me faltou o ar muitas vezes. Está cada vez mais recorrente. Sinais disso é que durmo com facilidade, e meus pesamentos já são tão leves que já me pergunto se são meus ou do mundo. Aos poucos, começo a me calar. Não por escolha, mas por erupção interna.

Quem está me levando? Não tem cara nem nome. Deve ter mas não vejo, minha vista também está desaparecendo. Quero ver até onde vai tudo isso... o que vai sobrar de mim, qual será a minha parte elementar... Meu coração, meus pensamentos ou meu corpo?

Uma vez sugaram tanto um bichinho que ele ficou só as orelhas. Orelhas no chão, um parzinho. Teve outro que ficou só o rabinho.

Será que alguém pode me emprestar um pouco de ar? Mas um ar que atravessa? Preciso que me atravessem e que fiquem. Essa coisa de me atravessar e se ir só piora meu estado.

Preciso me deitar. Antes, meus rosmaninhos.


terça-feira, 5 de julho de 2011

TARTE

Hoje não consigo escrever.
NAO DÁ, NAO QUERO...que BOSTA essa coisa.


então porque continuo escrevendo?
Porque as coisas sempre continuam mesmo quando não querem ser continuadas?

VOu parar! Mentira, não vou. Farei, aqui, um ESFORÇO DA COISA EM SI.

Começarei contando o que vejo daqui:

BEm, vejo coisas tortas. Terrivel e insuportavelmente tortas. ELas são tão tortas que tenho a leve impressão de que sou EU que estou torta e não as coisas. Quem vai saber?

Eu fico cansada as vezes de parecer ter meus olhos invertidos. No sentido que acabei de dizer, eu me refiro. Da maneria como as coisas me são vistas... Ninguem mais vê como eu vejo.

É só... Mas ao mesmo tempo não. Dificil de dizer...

´´Porque as pessoas não dizem exatamente o que têm no coração se sabem que não serão palavras ao vento``?

Assim perguntou Dostoievski... E assim me pergunto todo dia.

Eu acho que é porque as coisas estão tortas... Quem consegue achar o caminho até mim?
Eu consigo achar um caminho até alguém?




VOu parar.
Parei.

sábado, 25 de junho de 2011

Eu não consigo reter
assim como as ondas
minha própria forma.

.. .... .....

NE PAS MANGER.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Um casal.

Roberto achava que nasceu divido, mas foi com a ajuda de uma gilete que decidiu separar-se. Foi nesse instante que viu que só um pedaço era ele, o resto todo era a Bete.

RoBeRtO: Bete?
BeTe: Que foi agora...
RoBeRtO: Preciso contar algo.
BeTe: Hum... (continua a comer pipocas doces)
RoBeRtO: estou de... paracutaco acomecido.

(pausa de espanto)

BeTe: Mas... Porque tudo isso? Eu avisei pra vc não laicar mais!
RoBeRtO: Avisou nada! A culpa é toda sua dessa situação terrível!!
BeTe: Pára! Tu vai fazer eu me engasgar com um piruá, seu...seu...Xonguano! Eu já sei de tudo já...Agora sim estou te entendendo!
RoBeRtO: O que? Tu está louca mulher! LOUCA!
BeTe: Tá fazendo essa cara de rogado né... Mas eu sei!!!
RoBeRtO: Sabe o que sua infeliz!
BeTe: Vc fica de sacadelas no quiriri!!
RoBeRtO: EU?! Claro que não! Que isso..eu aqui precisando da sua ajuda, estou nessa situação por sua causa, aliás..e vc me vem com...acusações!!!
BeTe: Venho sim sr!! Acapu tudo! ACAPUZOU-SE! Não quero mais saber..suma!
RoBeRtO: Não sumirei, cafuana nórdica!
BeTe: Odeio vc. Eu sendo sempre tão xipante...
RoBeRtO: Sendo o que?
BeTe: Xipante.
RoBeRtO: Que isso?
BeTe: Xipante? Sabe o que é? é uma pessoa xarel, que não é pachecal e não fica de rabioste por aí, como o sr!
RoBeRtO: vc que é uma xipedana...adora um xipene com xiavaítas soltas por aí!
BeTe: Pra mim já basta! Dê cá a gilete!
RoBeRtO: NÃO!
BeTe: Então que seja.

3 horas e 23 minutos depois...

RoBeRtO: Bete?... ... ... ... ... (pausa) BETE?
BeTe: O que foi?
RoBeRtO: Eu te amo.
BeTe: Tá. (pausa). Eu também.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

POTE

Era tarde da noite quando:

ALCIE: Mas que coisa não é?
ALFIE: O que...
ALCIE: Isso que falei.
ALFIE: Ahhhhh...Nao!
ALCIE: COmo assim, nao?
ALFIE: Não ué! Não e não e não!
ALCIE: Paspalho!
ALFIE: Eu ainda acho q você não deveria esconder as chaves no potinho em forma de bunda, só isso.
ALCIE: Mas só porque o potinho tem forma de bunda eu não posso usá-lo?! Ele é tão bonitinho!
ALFIE: O que os outros vão pensar quando entrarem aqui na sala e verem um potinho em forma de bunda? E ainda mais, ter que ver você enfiando a mão no potinho pra pegar as chaves.... É constrangedor!
ALCIE: Claro que não! É só um potinho, Alfie! (pausa de indignação) Já sei! Tu está com inveja porque a bunda do potinho é mais bonita que a sua!
ALFIE: Mas que absurdo! Aquilo é um mero porta chaves indecente! ... ... Eu gosto da minha bunda!
ALCIE: Ha! Sei.. ... Pois eu vo usar o meu potinho SIM SR! E vou abrir e fechar a porta mil vezes so pra usar o meu potinho... na frente dos convidados...E ainda vo explicar que ganhei de presente do titio... como um símbolo de boa sorte e prosperidade!
ALFIE: Isso é tudo besteira. Também não entendo porque toda data comemorativa vc tem que mostrar a bunda pra lua! Eu odeio isso.
ALCIE: Pra ter abundância! De dinheiro, saúde.. Amor... Você deveria mostrar a sua! Oras, que implicância com as bundas! São tão úteis e graciosas! Melhor que os símbolos fálicos.. Odeio eles porque são tão comerciais...Você já viu as formas dos desodorantes Dove?
ALFIE: (ascende um cigarro) Vi sim, Alcie... Não me venha com isso de novo...
ALCIE: Rabugento!.... Vou fazer minha sobrancelha.
ALFIE: Vá.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Digressão... O DESAMOR.

X: Por um breve momento eu páro. Olho pra fora e vejo nada. Olho pra dentro... ... Quanto pesa um ser? Quantos eu posso carregar?
Y: Quantos você puder perdoar.
X: Não sei o que é isso.
Y: Sabe o que é amor?
X: Sei o que é desamor!
Y: O que é isso?
X: É que tenho em uma caixinha... Poderia dizer que os coleciono... mas colecionamos o que gostamos, certo?
Y: Tu não gosta de desamores?
X: Não gosto nem desgosto. É o que me foi apresentado.
Y: Mas tu não respondeu o que é isso, afinal.
X: É o contrário de amor... Mas não é ódio não, é só...desamor.
Y: Não entendo. Então tu não acredita no amor?
X: Se eu acredito no desamor, logo tb acredito no amor! Só não o conheço... acho que não consigo sustentá-lo.
Y: Porque tu carregas esses seres? Tu os desama?
X: Eu carrego pq preciso. Não, ELES me desamam.(silêncio) Tu sabe o que significa a palavra CUIDAR?
Y: Tomar conta?
X: Uma vez alguém me mostrou um círculo e disse que aquilo era cuidado. O círculo em si, digo. Outro alguém disse que a definiçao da palavra era: deixar correr riscos.
Y: Interessante...mas o que tem a ver isso com o desamor?
X: Parece que ninguém corre riscos de verdade.
Y: Então ninguém cuida e é cuidado?
X: Quase isso... Eles tentam, mas não conseguem. é quase como um desamor.
Y: então desamor é não cuidar da pessoa?
X: Não sei definir desamor! É isso TAMBÉM... ... ... Não sei, estou confusa. Só sei que não amo, amei. Se me amam eu não sei, acho que não, porque não me cuidam. Eu desamo com frequencia.
Y: que coisa estranha.
X: Quer um amendoim?
Y: Sim.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Totenglocken Tyrannei

CeNa I: Puxavida. they are old... ...

H´: Ela ainda reza o responso!!
Pn´: Cumé o nome daquilo...
H´: que tem fumacinha..
Pn´: Ai meu braço.
H´: Tibério... Não, tiberio não, cumé...
Pn`: Badalo!
H´: Ostensório.
Pn´: Não, isso é da óstia. Bagalo...dabalo...
H´: B-A-D-A-L-O, bem... Não te faz de bobo!!
Pn´: mas o badalo não é o sino..é a bolinha...o badalinho.
H´: Vou ver se acho minha niclera...
Pn´: E cumé o nome daquele negócio que o padre atira no defunto?
H`: Ramos?
Pn´: Não...tem um nome aquilo..tem um buraquinho branco
H´: Acho que vo lavar essa xícara.
Pn´: Aquilo tem significado pra eles...
H´: ô se tem.. Bem! Corta o pão direito..que que isso..isso é um NACO!
Pn´: Mas até isso caiu, esses rituais. Até a vestimenta não são as mesmas.
H´: Lembrei! É Turíbio!
Pn´: Isso mesmo..turíbio..que ele faz assim (gesticula) isso mesmo.. Ha! (pausa) quem sabe hoje, dos jovens, que o nome daquela persiana, com ganchinho é jalové!
H´: Os jovens são burros, bem.
Pn `: Não sei se tu lembra, que encaixava uma cordinah no meio...
H´: Claro. O povo hoje é muito burro..
Pn´: Tem diferença.
H´: Escariola.
Pn´: Vitrola? É isso também não tem mais...
H´: Não, bem. E-S-C-A-R-I-O-L-A...parece surdo!
Pn´: Ah...! É. Que que tem?
H´: Não seiii!!!! Só to falando!! Não posso?! Acho que vo lavar a xícara...
Pn´: meu golinho.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

PUTTY.

VAMOS a um raciocínio básico:



I) Se Ulm não é peixe ou póvora, então é Putty.



II) Não gosto de pombas porque parecem rosmaninhos.



III) Good Night DIN DIN DIN DIN DIN DIN....



IV) Esqueci. (1,2,3,4,5,6,7,8,9...) Mas é algo que tem a ver com batatas!



V) *_*



VI) A: Inh!
B: Inh... Ninguém foi.
A: MENTIRA!

CoNclUsÃo:

Não gosto de enseadas!!!!!!!

E tenho dito, Putty!

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

A CARTA

Dodô,

Ah! Meu amor... sinto falta dos bonfés!!! Um, dois, 15. DOIS XIS DE BONFÉS!

Eu não estou tomando os remédios. [e não faça essa cara de Grito!] Não tomo! ... Eu só engulo e desgulo. Preciso ficar acordada, querido. Mas DodÔ, só tu podes... Eu preciso e não posso, não consigo. Meus olhos não aguentam ver; minha lucidez, Dodô, pode não o ser.

VEJA! Essa carta pode ser um sonho. Ou não. Tu Dodô. Tive medo de tu não existir, assim como eu. [Rio!] Somos criações patológicas de um pato!



Só porque eu ri disso que disse, isso não faz de mim louca, não é? Porque me chamam de louca? Ai, meu Dodô... ... ...

Por falar nisso, preciso te dizer ( queria dizer quando tu viesse, mas não) Eu MaTeI ArTaUd! E acho que me matei também, mas não tenho certeza....



Ai meu amor, amor meu, DESENTENDA-O. Eu estou no limbo, não só por causa desse croissant, o Artaud, mas porque.... eu vejo demais, não não é isso! Mentira, é porque eu vou cada vez mais pro fundo.... e pro fundo.... E não dÔ pé! Se der.. quando eu chegar lá eu já não vou existir. Porque se eu já estou assim agora, enquanto só me afogo, imagina ... [risos].



Ontem tu vieste me ver! Durante a noite, não é? HÁ! Eu estava dormindo, sim, mas quando eu acordei, no chão tinha círculos! tu não me escapa, seu espertinho!



Dodô? Tenho medo. O vazio entulhado é tão opressor. Gosto quando tu me abraça, porque eu fico. Aqui eu não fico, eu explodo, pra dentro. Implosão. TUdo.


Dodô? Eu não aguento mais tanto tempo... Meu tempo é outro... Ele não voa mais, ele anda! ( sim, já usei minha flecha) . E quando isso acontece... ai se eu pudesse descrever com essas que me traem... toda a poesia! Que morre ao nascer e jamais se repete, para sempre jovem e inspiradora. Mas só eu vejo esse retumbar de cores e figuras trági-cômicas. Só ninguém vê. Isso faz do que me habita insuportavel e triste.

Não é triste, mon cher, que por eu ver e ser isso tudo eu tenha que ficar aqui? Eu ainda me pergunto porque tudo isso é branco. Em cima, baixo, lados...pelos menos é fofo. Fico contente em saber que o branco é todas a cores juntas. {ri}.

Tenhos várias cores, viu DodÔ? TUdo fofo. Não se preocupe, eu sei que tu disse pro médico que o silêncio enlouquece. Mas eu não tenho medo da loucura! Chega uma hora que é meio irônico. Aqui tem muito barulho.! De mais...sinfonias...mas hoje é metálico e agulhante. Sim sim, querido, tem agulhas na minha cabeça! Eles não param de disparar agulhas...

Doer dói mas já aprendi a dançar. EU me esforço tanto DoDô.... antes de eu entrar em estafa... (gosto dessa palavra, me lembra sofá que me lembra descanso)...eu queria saír do verde contigo, mon cher. COmo fazíamos..passear e dançar e tomar chá!

Vou partir.... Venha logo me ver!

Mas venha quando eu puder lembrar!

Lembrar Dodô, outra coisa que não posso deixar que suma de mim.... Nao posso.

Beijos de bombom.... e de máscaras.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

PAPILLON

CeNa I: Bambambambá.

Nunca vido na vista cousa como essa. Velho homem, homem velho. Sou um andarilho e me ilho na ilha dos meus anos não contados. Quem disse que eu preciso pisar no tempo? Eu tenho uma flecha!

X: Porque parece não saír do lugar?
B: Mas não sai.
X: E então?
B: Mentira.

Onde estás tu? Eu não estou aqui! EU nunca estive aqui.. OUVIU? Eu
nao
estou
aqui.

Neste lugar desenhado... EU NAO ESTOU AQUI...
nao aqui estou . estou nao eu aqui .

jamais estarei. Jamais.

CeNa II: à ninguém.

Estás me vendo?

Eu sei. Nao.. mentira! Não sei... Não, mentira! Sei! Muito bem! Não, mentira.... NAO SEI.

TU me ouves? Não vês como meus pés nunca se movem mas meus olhos não páram?! Não vês como minhas mãos voam como hélices flutuantes? Não queres dançar?

Dancemos! Prefiro que sejas cego, mon amour, cego! Não repouses teus olhos sobre mim se não for pra me desnudar.

Que sejas um cego! E aprendas a ver com ... com...

I cry all night and smile all day.

É por acreditar no mundo que eu desacredito. E é porque eu desacredito que eu acredito. E assim vai...

CeNa III: ....

Eu não caibo em mim.

Eu não sou eu.

Eu não tem sentido a nao ser que... ... ... .. ...... ..........

Quanto mais eu perto chego, mais eu quero entrar.

Eu carrego tanto peso, Serafim. Tanto peso, meu velho homem. Serafim!!! Páre de roncar homem! (pausa) Serafim? Pesa tanto... Não nao, dei-me, eu carrego sozinha. ROnque, Serafim, ronque.
Ai! Vo carregar dentro d´agua! OCmo não pensei nisso antes, serafim? O peso não é o mesmo!

AHH SERAFIM! NAO RONQUE....VEJA! EU FLUTUO! E as coisas também! . Serafim?
serafim?
serafim?
Respire!...

MOrra.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

DISSOLUÇÃO.

Não sei o que.
Não sei... Sei. Oi?

Eu acho que tá quase, só mais um pouco..Mais, mais! A!!

As coisas parecem atômicas por aqui por dentro. Costumam explodir sempre, mas hoje explodem de uma maneira incomum. Explodem tanto e tão forte que o que é tocável em mim fica imóvel.

Eu sei que duas coisas opostas são impossíveis. As antíteses, os paradoxos, os modelos atômicos aneutronados.... tudo isso está fadado à segregação violenta das partes. Logo, se eu sou uma antítese (o dentro quer mover-se e o fora é estático..) se eu sou um aparadoxo inegociável... logo serei acomedita de uma explosão irreversível dessas minhas partes tão... Tão... Espumantemente Alcoólicas (nao sei porque disse alcoólico. Não sei mesmo. Não bebi nem hoje nem amanhã).

Quando eu segregar-me inteira acho que minhas partes serão atraídas imanticamente para um núcleo de forças. Ou não.

Ou as pessoas podem fazer como no carnaval! Minhas partes antitéticas seriam os confetes coloridos que cada um pega um pouco e joga pra cima! E caem e ficam petit pois no chão...e depois jogam e caem, jogam e caem... !

Eu poderia ser um confete.

Um Roxo e um Branco. Não, um branco e um preto!

Existe confetes brancos? Gosto do branco porque ele é todas as cores juntas! Gosto do preto também, que é cor nenhuma! Não... De novo Não... Não! ..... .... .... Façam um quando for minha vez, por favor.

sábado, 10 de julho de 2010

AI!

Tem coisas que a gente não explica. Ás vezes eu tenho uma vontade enorme de chorar, como agora. E não é por nada, é por tudo! Não que o nada não fosse alguma coisa...

T.: É pelo que, B.? Você sabe o que é!
B.: Eu sei, mas não vou nomear. Não porque não quero, mas porque não posso!

Sabes, nem tudo precisa ser nomeado. O nome trai de qualquer forma! O fato é que eu choro. De mim verte água que não lava, parece que inunda.

I´m lost in the ocean. Meu corpo no mar, imerso no Novo Mundo. Minha cabeça cansada e voltada para a imensidão deserta do Velho Mundo, porque precisa desse velho ar.

O que eu faço, me afogo? Tento respirar na água do Novo Mundo? e o que eu faço com o Velho...

Ai.

Quero virar o mar pelo avesso. tudo tudo backwards.

´´ Oi nós, que viemos de outras terras, de outro mar!``... Eu ainda preciso acreditar que um grego pode falar, em grego, com um árabe e esse em árabe com o grego e eles se entenderão. SIM!

Dor.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Bebecões cão

CeNaI: Depauperamento.

Maquina erguida por silêncio mágico. Principescos náufragos perambulantes no vácuo.

Tu sabes o que é o nada? Eu não sei. Ninguém sabe! Ah, sim... Não vou saber descreve-lo e nem tu vai conseguir imaginar..MAS O ESFORÇO É PRECISO: branco.

Subiu descendo a escada desfeita em esteras tijolares.

CeNa II: Tá.

Al: OLha isso aqui.
Pb: Aham.
Al: Viu?
Pb: Quer bolacha?
Al: Ninguém foi.
Pb: Ah que bom, ele foi?^^

FOI QUEMNEM... Olha um cão! Eu posso chamar um cão de cão, porque quando eu olho pra ele não há melhor som ou nome que esse. Um bebê cão. BEBECÃO...B-e-b-e-c-a-o. Parece uma daquelas ervas de tempero: Vai Bebecão no chá?

DOIS cubos por favor, em forma de bolas, bolotinhas... e com espuma!

sábado, 26 de junho de 2010

DOS PULSOS DE MOZART

É noite. E o quarto estava escuro, não verei luz escapar por baixo da porta.
Entrei. Abriu-se. Uma vela, somente a luz de uma vela pela metade, ele, uma mesa.

A mesa... sustentava uma chaleira vermelha, arredondada, grande. Estava frio e a chaleira rubra respirava e fazia fumacinhas pela boca. Será que ela brincava? Eu bricava, toda vez que saía manhã a dentro, 2 GRADOS abaixo de zero. Fumacinhas dançantes pela boca e pelo nariz.

Ao lado da chaleira, a cuia. Prata, pequenina mas não o bastante para sumir frente a chaleira. Tinha erva fina e água até a boca. Também ela soltava fumacinha. Deveria estar quente. Meu corpo estava frio... ... senti o gosto de outrora, da nova infância, do pampa gaudério.

A vela logo ali e então, a máquia de escrever que sucumbia aos dedos dele: amigo. Camisa azul... Ele não estava com frio? barba grande... escrevia seu romance. E seus pensamentos pareciam tão afoitos que lhe escapavam pela boca, no seu idioma silhuetoso, vacilante, quase como várias curvas cruzantes de um compasso a girar.

Mirei seu pescoço. Onde estaria ele agora? este meu amigo que olhava para mim como uma irmã? PORQUE? O que foi feito dele, por onde passou aquele cabelo, e aquelas células, o que as modificaram? O que as mataram, o que as fizeram crescer? Por que tipo de ventos sua tez foi cortada? Onde dorme, meu carinhoso e livre amigo? Será que o tempo, essa ave que um dia flecharei, que tipo de marcas fez nessa face amiga, com suas garras?

Olho para o branco da mesa. Espaço vazio. A luz... como comunicá-la... Era a luz em que Beethoven, nas noites frias, escreveu a nona, no auge da sua agonia surda e gélida. O penumbra e a vela. Essa luz exatamente! Eu quase podia ver os pulsos de Mozart com as mangas de babado branco, atravessando a noite cavalgando melodias.
Olho para o lado e ouço..sim, a sinfonia! é da minha cabeça ou algum vizinho escutava?...

Meus olhos se inundam. sinto saudade da chaleira, do mate, do amigo. Temo por ele. QUero todo esse espaço gravado na minha alma. Sinto saudade.

A mesa, a chaleira, o mate e o amigo estão aqui. Sinto saudade do presente que vejo. Meu corpo co-habita com eles. Minha alma está em um não-lugar. Os vejo e me vejo décadas depois... Porque peguei carona nas asas do tempo, nesse segundo de contemplação

Ao meu amigo... deste não lugar em que estou e e um dia encontrará meu corpo que aqui estava... digo que o vejo como uma bandeira que tremula. O chamo liberdade.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

O SONHO

Meus olhos se abriram fechados. De minha cama.

Levantei-tarei-to... Pisava eu em ondas? Circulava em meu corpo o álcool que bambaleava e cambaleava meus pés em uma dança frenética?

Ruído. Música... Rock and Roll assusta-dor!

O guarda roupa dançava...bem como o corredor, por qual andava em curiosa dificuldade, e me esmagava pelas laterais e pelos cantos.

ESCADA-RIA... descida a passos falhos...

AMUSICA RUÍDO AUMENTAVA e não pedia licença a meus sentidos.

Até que... fim da escada, começo da sala e... O HORROR. Pisava o teto! Tudo estava invertido, ao avesso, de cabeça para baixo... o sofá...a tv, a mesa... A tv caiu no chão-teto em que estava...

PLAFT..FINN..RSIUTCHUO. atrás de mim, como eu...Patrícia, fefa, Jessy encolhidinhas tentando inutilmente mudar o canal distorcido..

Elas tremiam em convulsão... Eu tremia em terremoto. Olho a frente e um velho, gordo, camisa branca manchada aberta, com um cigarro na boca e forte cheiro de rum. Minha boca abre:

- QUEM ÉS TU?
- EU moro aqui.
- Nao!
- O ÁS nunca pertenceu ao baralho. Jogar é Agora com j e menos um A. O ÁS não existe, a espada é um delírio. CERVEJA!

panico me assaltou quando uma figura esguia pulava incessantemente na porta de entrada....
ROSTO TORTO, MORTO, VÍTREO.

Grito e abro a janela... Corpo nu que pende da grade...pende na diagonal de costas. Grito de Horror que sai dos poros do corpo suspenso pelos riscos férreos.

Minha boca abre de novo:

EU NÃO SOU KAFKA! Não sou Kafka! Sou Kafka! Kafka!... FKA...FICA..nao ficar!

Meus olhos se abrem pra se fechar de olhos fechados mas abertos. Convulsão. coração que bate.

ABRO OS OLHOS.

acaba pra começar.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

PEQUENO DEVANEIO DADÁ

Na ralidade a coisa se passa de maneira bstante sólidada, no sentido de que tudo é relativo.

Não há gente no sertão...Quem canta seus males espanta...Então tudo é bastante. Que de tão relativo passa a ser um tanto quanto mediada pelas aproximações.

Foram 35 entradas, na realidade.

terça-feira, 11 de maio de 2010

GRITO, EU.

CENA I: O desespero .

Pt. Brook disse: no teatro é possível experimentar a realidade absoluta da extraordinária presença do vazio, em contrate com a confusão estéril de uma cabeça entulhada de pensamentos.

De fato, tememos o vazio. Merda de medo. Uma MERDA, inclusive no sentido teatral, porque o medo me trás boa sorte, sempre foi assim. Quanto mais medo eu tenho da coisa, mais eu acredito nela. Talvez essa eme ê dê ô seja a razão pela qual eu ainda insisto em permanecer no insuportável: a banal idade.

Porque, diga-me, porque se faz teatro? ´´Tu serias mais útil com um pão na mão do que com uma batuta``. COMO? Utilidade... As pessoas não se vêem mais, isso é um absurdo! Não há diálogo, só há uma inútil e manca CONVENÇÃO.

O MUNDO NÃO EXPERIENCIA MAIS. O homem não vê, não toca, não entende a si e ao outro. Entender e experiênciar são a mesma coisa!

Um pão... o meu pão começa com T! Tão! O teatro é uma corda que puxa da lama maquinal do não humano.

CENA II: AHn?

Vivo o teatro e visito a vida. Se não for assim, não finja que é e assuma! Discursos contraditórios, falhos e hipócritas não me interessam. Prefiro o silêncio, que é sincero. Prefiro a ausência que é justa. Se pisares no tablado AJA para ser digno se ser uma coisa do ato: um ator.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

CENA 1:

''Será esse o caminho
Navegar assim, sozinho,
Sem alguém que nos espere no cais?''
...
... Dei-me conta de que sou eu a mulher com o lencinho branco a dizer adeus. A mesma que retorna todos os dias ao mesmo lugar, cumprimentando os cotidianos pescadores, assistindo o regresso dos grandes navios que chegam abarrotados de gente saudosa ... Mas nunca traz aquele que partiu. São navios devoradores, navios que trazem a angústia terrível da ESPERA e da SAUDADE.

CENA 2:

... ... Também dei-me conta que sou o ser alado que parte com seu navio...Ou melhor, Eu sou o busto posto na proa...Que abre os mares, saúda Poseidon, se aventura no infinito, nas ondas que, por vezes, espelham os céu, as estrelas... Mas quando o navio retorna nào encontro os olhos queridos... Há ninguém. Então eu me dou conta de que pertenço ao navio. As mãos que me afagam sao os ventos.

Eles.

domingo, 4 de abril de 2010

DIGRESSÕES SOBRE O PERTENCIMENTO

O que é brasileiro? Supõe-se, em princípio, que seja referente ao que provém do brasil. Não obstante, no dicionário Priberam da Lingua Portuguesa consta a seguinte definição:

1 Relativo ou pertencente ao Brasil;.

2. Português que residiu no Brasil e que regressou trazendo mais ou menos haveres.

Pois bem, se considerarmos a primeira definição como parâmetro para definir onde começa o teatro brasileiro, pensa-se: a cultura de um país na boca de um estrangeiro permanece enquanto cultura do país de origem? Ou seja, o colonizador português, quando fala da cultura da colônia, o produto ainda pertence à primeira? Obviamente que entre o que o Brasil apresenta dentro de si e o que se vê fora dele, existe espaço para interpretações próprias e, portanto distanciamentos. Contudo, se pensarmos que a caracteristica de SER depende do que a coisa diz de si, do que ela faz e do que dizem dela, inferimos que pertence ao Brasil o que ele faz (sua história fática), o que ele diz dele mesmo (a prática cultural), e o que outros, de fora, interpretam dele. Desta forma, a produção dramática feita pelos portugueses que abarca, de algum modo, algo sobre o Brasil, desde povos nativos, língua, práticas culturais, diz respeito a esse país.
É comum, ao principiarmos o estudo do Teatro Brasileiro, considerarmos a produção de Gil Vicente. Ora, esse foi um grande dramaturgo português, de um certo idealismo romântico, que falou das problemáticas de uma cultura portuguesa que ia se perdendo. Fala do que pertence à Potugal. E o Brasil? Há algo em sua produção que é inerente a nossa cultura? Tudo o que é escrito em língua portuguesa, em certa instância, diz respeito aos falantes da mesma, ou seja, brasileiros e potugueses. É claro que se deve considerar que, no período vicentino, o Galego dava a forma a nossa lingua, ou seja, o português não possuia a atual forma gramática. Contudo, desconsiderar essa produção de origem da língua que falamos não tem sentido, uma vez que seria negar uma parcela das referências da constinutição do que somos hoje.
Curioso é pensar na segunda definição dada pelo dicionário: brasileiro é português que residiu no Brasil e que regressou trazendo mais ou menos haveres. Pederíamos interpretar da forma que é brasileiro o português (ou o que provém de Portugal) que fez parte do Brasil e regressou a sua terra de origem levando coisas sobre o brasil. Isso, de uma certa forma, remete à produção dramática de Pe. José de Anchieta. Ele não tinha pretenções de uma produção dramática, embora admirasse o teatro. Também ele era provieniente de Terras Lusas, não obstante suas peças foram criadas para os nativos desta terra, apresenta a língua tupi e o português e, não há dúvida, de que a obra de Anchieta, apesar de não nascer da voz de alguém com ´´tambor na alma``, fala sobre e diz muito respeito à história e a cultura brasileira. Era a pretenção de um Teatro tímido que se produziu aqui, ou pelo menos para o povo daqui. Obviamente, sem contar o teatro marginal e laico dos colonos e muitas outras práticas esporádicas que almejavam o lugar de onde se vê.
Nos séculos XVII e XVIII já teremos a construção de um edifício teatral, nos moldes clássicos onde eram representados obras européias como Molière. Muitos questionam e até afirmam que esse tipo de prática nada tem a ver com o Brasil, mas é simplesmente a importação de um modelo que não dialoga. Mas o que somos nós, se não um amontoado de coisas injetadas de todos os lugares, uma miscelânia de coisas (muitas) que não nos diziam respeito mas que, a partir do momento que chegavam a nós, foram fagocitadas e trasformadas em uma terceira. Eis o cerne da questão: o teatro brasileiro não é genuíno, mas é dialético. Ele não é o português, não é o índio, é uma terceira coisa que é a primeira e a segunda ao mesmo tempo. E nessa terceira coisa também há espaço para coisas que não são nem a primera nem a segunda. Podemos sim considerar como teatro brasileiro o teatro importado para cá e o que foi produzido aqui, pois o Brasileiro genuíno estará no ENTRE as duas coisas.



´´Brasil, pra mim! Abre a cortina do passado
Tira a mãe preta do cerrado
Bota o rei congo no congado
O brasileiro é do choro
é entusiasmado quando cai no samba
No Amazonas, no araguaia iá
Na baixada Fluminense
Mato Grosso, nas Gerais e no Nordeste,
Pelo prazer de chorar e pelo ´´estamos aí``
Pela piada no bar e o futebol pra aplaudir
Um crime pra comentar e um samba pra distraír
DEUS LHE PAGUE!
Não fica abafado e é um desacato
As selvas te deram nas noites teus rítmos bárbaros
E os negros trouxeram de noite reservas de pranto
E os brancos falavam de amor nas suas canções
E dessa mistura de vozes nasceu o teu canto``




Sim, brasileiro é a mãe preta, o branco romântico, o Molière no cerrado, os bárbaros tambores, uma fumaça desgraça, um cálice, um teatro de Gil, Anchieta, Gonçalves de Magalhães, teatro do barulho, do proibido dizer, teatro dos atores mudos, das cantilenas alquebradas, drama das paulicéias, teatro do nada, teatro da ostentação, teatro do papel verde e da moeda enferrujada, do pouco, teatro dos becos e das cortes, teatro do grave, do pessimismo, da alegria paleativa, também da alegria sincera, teatro do que foi e não é mais, teatro do que é que já foi um dia, teatro da Maria, do Zé, de Castro, da Pena do Martins, de Plínio, do ontem e o amanhã... É um grande lugar de onde se vê.