Queridos! Comecei um profundo estudo do Método de Stanislavski com a leitura de A Preparação do Ator. Fiz anotações a respeito de alguns pontos, como auto-avaliação da minha própria técnica de atuar. Questionar-se, por no papel, partir para a prática, voltar atrás, tudo é extremamente necessário. Achei interessante expor algumas questões, tanto para quem estuda teatro, quanto para quem não conhece a fundo as estruturas desse ´´lugar de onde se ve``!=D
Já que aqui é um lugar de voz, de arte, de inquietações...que comecemos!
CAPÍTULO I: A Primeira Prova
1)´´[...] Senti-me tomado pelo desejo de atuar. Sem querer, minhas mãos, meus braços, meus músculos faciais, qualquer coisa dentro de mim, tudo se pôs a mexer [...]``.
O desejo é constante. É uma flama que vem do nada e queima de dentro para fora. Como se o corpo respondesse de imediato ao ato-reflexo. Dura um tempo (às vezes um bom tempo - min, hrs, dias...) e vai-se como veio.
[Por exemplo, what am I doing here? Will this work out for something at all? Will I do ir REALLY? O trabalho do ator relies on the ACTOR ONLY]
Pausa.
2) ´´[...]Eu trabalhava quase cinco horas sem ver o tempo passar. Isso me pareceu uma prova de que minha inspiração era real [...]``
É interessante perceber como, quando saímos da ´´normal consciência``, fica comprovado de que a dita inspiração veio e ´´estamos fazendo certo`` (se é que há um certo). O tempo também é outro fator de medida de qualidade. Se mentivermos por muito tempo é porque foi bom. ARGH! E se eu não conseguir manter? Vai pro lixo meus poucos minutos? E a INTENSIDADE (?) deles, onde fica? Reside nisso a qualidade? para mim tem que ser objtivo (ou não), conciso, inteiro e IN[TENSO].
3)´´[...]É difícil despertar a vontade criadora; matá-la é facílimo[...]``
Isso é verdade, embora haja dias em que a ´´vontade criadora`` é infinda. Mas quando não, é árduo, exaustivo e desgastante desenterrar das entranhas essa vontade. Bom mesmo seria mandar nesses ´´instintos`` (pq não deixam de ser). Mas nem sempre posso (ou tenho a ilusão de às vezes poder. E ilusao é DESTRUIDORA). Essa vontade parece um parto. Parir esse filho DÓI, demora. Antes vem a espera terrível... (pior é quando se tem um prazo... Você trabalha até se tornar dor física). E depois vem a contração que você pensa ser a ´´vontade``, mas logo vem a decepção e... não é. É como se, até Ela chegar, você tivesse que passar por mil mortes de idéias até ressuscitar. E quando nasce é um alívio. Mas uma faca, por exemplo, arruina tudo. Só enfiar na criação (um ato simples) e ela morre. Veio difícil e foi fácil Não nos acostumamos a isso, vai contra nossa suposta lógica. Temos de inventar outra lógica então. Quem disse que era fácil, afinal?
4)´´[...] O ator, como o soldado, deve submeter-se a uma disciplina férrea [...]``.
Eu concordo, mas nem por isso acho fácil. Essa minha tentativa, por exemplo, de fazer um estudo analítico de Stanislavski e de mim: requer MTA disciplina. O problema maior é o imediatismo. Resultados AGORA JÁ. Atuação, principalmente se falarmos de técnica, requer tempo... TEMPO para jogar tudo fora e recomeçar de novo e de novo... E quando chegamos ao fim da carreira (no meu caso, a morte) começamos a realmente ter resultados... Essa é a triste beleza do árduo e do efêmero. Mas disciplina é DIFÍCIL, principalmente se não for ´´pleasant``, se cansa, se dói. Então nos apoiamos na simples vontade, fé, amor, paixão, ou o que seja que nos dá força quando não temos mais força. Porque se deixar assim, só por nossas ´´intensões``, ficaremos na´´ miséria do teatro`` (como diz Teixeira Coelho) que acham que se faz por aí...
5)´´[...] Rakhmanov diz: o primeiro ensaio é um acontecimento na vida do artista, que dele deve guardar a melhor impressão possível [...]``.
Detesto a sina das primeiras impressões! São tão injustas! Vai contra a oscilação do homem, que nunca pode ser julgado por UM estado, já que é novo toda hora. E se o primeiro ensaio não tiver a melhor impressão de mim? Daí não vai ser um elenco uníssino... (aconteceu isso no meu primeiro ensaio de O Matadouro Municipal, de T. Williams)...Por isso aposto no segundo ensaio!=D E no terceiro, e no quarto... (como no Matadouro Municipal =P) Em TODOS OS ENSAIOS, DE QUALQUER MANEIRA, não importa o que aconteça, sempre tentar estar INTEIRO, aqui e agora, com toda a bagagem que isso possa vir a trazer.
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