domingo, 28 de junho de 2009

Continuação Trabalho de Ator

6) ´´[...] Aprendi a exibi-los e também a girar os olhos até o branco surgir. [...]``

As vezes eu fico me pesquisando. O corpo me revela cosias mais fora das aulas (e cenas) do que nelas. mas é uma pesquisa sem porquê ou para onde. Só olhar. Mexer. Brincar. Dedos, cada articulação...Pálpebras...Bochechas. Há mil maneiras de fazer a mesma coisa! E sempre vai haver uma que ainda não fiz. Ser uma ´´auto-incógnita``. Buscar... always.

7) ´´[...] Sem esse ambiente eu não conseguiria recapturar a inspiração. Meus esforços não me persuadiam. Apenas interferiam na minha atuação. [...]``

A dependência do que fazemso pela primeira vez (e PARECE perfeito) é terrível! Se há qualquer inspiração (exito em usar essa palavra, particularmente) ela é livre e deve estar calcada em algo interno. Mas de fato é difícil desvencilharmo-nos do ambiente no qual uma partitura prévia já foi criada. E pior: sentimentos foram sucitados com aquela atmosfera. E onde foram parar nossos sentimentos quando somos colocados em outro espaço? Será que eram os NOSSOS sentimentos ou os do lugar? Eis a diferença. O fato é que o homem também é o meio. A grande solução talvez seja captar a essência do sentimento, das sensações, dos estados. Esses não são e nunca serão os mesmos porque estamos em constante mutação. Sabamos lidar com isso sem pânico. Outra problemática apontada é: qual é diferença entre persuadir e interferir? Primeiro, se meus atos e ´´esforços`` não convencem nem a mim mesmo, como poderão ser convincentes para quem os vê? Como diz minha professora de corpo Luzia, na USP, ´´se você finge que faz eu finjo que acredito``. O primeiro público, se é que isso existe, sou eu mesma (se bem que não seria mais eu, caso estivesse me convencendo; pelo menos não estaria INTEIRAMENTE na minha consciência). E quando apenas interferem, sem persuadir (para falar assim), que JOGUE FORA! Interferir sem mudar, sem razão, sem sentido para mim (quem faz), é inútil. Lixo (ainda que reciclável ;) )

8) ´´[...] As palavras não me auxiliavam. Na verdade, atrapalhavam, de modo que eu preferiria dispensá-las de todo, ou reduzi-las pela metade. Não só as palavras mas também os pensamentos do poeta me eram estranhos. [...]``.

Sim! Eu, às vezes (a maioria), passo por isso! Ontem, por exemplo, quando ensaiava um monólogo. Eu não sei exatamente como isso acontece. Creio que uma coisa esteja ligada a outra, ou seja, não apreender inteiramente os pensamentos do poeta, faz de suas palavras (intermediadas pelo personagem, daí já são duas distâncias) algo tão distante que passe a ser tão superficial que, ao falar, passam mil coisas na cabeça, menos as falas! E se elas passam, é só a carcaça. Mas cadê a essência? O que fazer?! Não vejo outra alternativa a não ser a leitura repetitiva e extremamente detalhista do texto. É incrível como preciosos detalhes do meu personagem não são dados por ele, mas pelos outros, pela situação cênica, pelas misteriosas rubricas. É muito frustrante quando finalmente encontramos o personagem na nossa carne, no nosso estômago, perfeitamente exposto na partitura em carne viva e sincera e, quando abrimos a boca... BUM! Acabou-se. Uma MERDA (no sentido pejorativo). Acredito que um trabalho de voz bem feito ajude. [qual é a voz do personagem? Que timbre usaria? ...Depende do corpo, da anatomia, a qual depende do meio e do clima...] ´´-Ah, isso é exagero de detalhes, é desnecessário!``É o que dizem. Mas é esse o trabalho de ator! D-E-T-A-L-H-E. Nu. Cru. Puro. Pelo menos esse é o MEU trabalho. Sem entrar no mérito e voltando à questão, se a palavra tem de aparecer, antes, a leitura minuciosa, a apreenção TOTAL da essência do sentimento do autor, da obra (pesquisa externa é primordial), do personagem, trabalhar o corpo, a VOZ e a fala até ficar fluente, crível, boa para mim.

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