9) ´´[...] A razão, talvez, é que eu não tinha nada pra por no lugar dessas coisas. Lera o texto do papel isoladamente, representara isoladamente o personagem, sem relacioná-lo. As palavras interferiam na atuação, e esta nas palavras [...]``
essa é uma tendência que, se não ficar atenta, acabo conduzindo meu personagem, a minha atuação e a atuação que EU espero (e julgo absoluto) que o outro tenha. Já que se fala tanto (e com razão) que teatro é a arte do coletivo, o processo tb deve sê-lo. é óbvio que existem momentos em que é indispensável, para a minha criação, o isolamento. Contudo, o produto deve ser posto em diálogo e estar sempre ´´em aberto``, nunca se tornar findo. O mesmo irá interferir nas palavras como são ditas. Mudar é (pelo menos se espera que seja) evoluir, e é o que se almeja com o personagem. Portanto, descubro que formas fixas ou pré-concepções costumam não funcionar.
10) [...] Descobri um segredo: não permanecer muito tempo num mesmo ponto, repetindo sempre o que já se tornou por demais familiar. [...]``
Alguns dizem que a repetição leva à perfeição. Que quanto mais repetimos, a nossa atenção fica focada em diferentes pontos e exploramos coisas diferentes em uam mesma coisa (eis o princípio básico da partitura). Não obstante, também acredito que, no momento da criação, mudar os pontos e fugir do familiar é outra maneira, muito necessária, de descobrir outras sensações (pontos de irradiação e erradiação emotivas) e então unir com o que já dominamos. Para mim, ambos os métodos são complementares e indispensáveis.
11) ´´[...] Não era eu quem controlava meus métodos: eles é que me dominavam. [...]``
A grande luta! essa linha limítrofe (quem domina e quem é dominado) é MUITO tênue! Creio que dominar métodos tem a ver com relatividade: cada situação é uma e tem coisas que cabem e não cabem. O problema maior é quando o m´todo está incutido em mim de tal forma que nem o perceba como método e o classifique como outra coisa. Então, para que não haja dúvidas:método
s. m.
1. Ordem pedagógica na educação (???)
2. Tratado elementar
3. Processo racional (até que ponto?) para chegar a determinado fim.
4. Maneira de proceder.
5. Processo racional para chegar ao conhecimento ou demonstração da verdade.
6. Obra que contém disposta numa ordem de progressão lógica os principais elementos de uma ciência, de uma arte. (processo??)
12) ´´[...] Entretanto, já estou mais habituado com o local da peça e de trabalho. Já não sentia tanto as discrepâncias [...].``
voltamos à questão da dependência do espaço. De fato, depois de um certo tempo (se havia desconforto) perco o estranhamento com o ambiente e passo a incorporá-lo sem ficar truncado ou estranho. Creio que esse tempo de adaptação não pode durar muito!
terça-feira, 30 de junho de 2009
domingo, 28 de junho de 2009
Continuação Trabalho de Ator
6) ´´[...] Aprendi a exibi-los e também a girar os olhos até o branco surgir. [...]``
As vezes eu fico me pesquisando. O corpo me revela cosias mais fora das aulas (e cenas) do que nelas. mas é uma pesquisa sem porquê ou para onde. Só olhar. Mexer. Brincar. Dedos, cada articulação...Pálpebras...Bochechas. Há mil maneiras de fazer a mesma coisa! E sempre vai haver uma que ainda não fiz. Ser uma ´´auto-incógnita``. Buscar... always.
7) ´´[...] Sem esse ambiente eu não conseguiria recapturar a inspiração. Meus esforços não me persuadiam. Apenas interferiam na minha atuação. [...]``
A dependência do que fazemso pela primeira vez (e PARECE perfeito) é terrível! Se há qualquer inspiração (exito em usar essa palavra, particularmente) ela é livre e deve estar calcada em algo interno. Mas de fato é difícil desvencilharmo-nos do ambiente no qual uma partitura prévia já foi criada. E pior: sentimentos foram sucitados com aquela atmosfera. E onde foram parar nossos sentimentos quando somos colocados em outro espaço? Será que eram os NOSSOS sentimentos ou os do lugar? Eis a diferença. O fato é que o homem também é o meio. A grande solução talvez seja captar a essência do sentimento, das sensações, dos estados. Esses não são e nunca serão os mesmos porque estamos em constante mutação. Sabamos lidar com isso sem pânico. Outra problemática apontada é: qual é diferença entre persuadir e interferir? Primeiro, se meus atos e ´´esforços`` não convencem nem a mim mesmo, como poderão ser convincentes para quem os vê? Como diz minha professora de corpo Luzia, na USP, ´´se você finge que faz eu finjo que acredito``. O primeiro público, se é que isso existe, sou eu mesma (se bem que não seria mais eu, caso estivesse me convencendo; pelo menos não estaria INTEIRAMENTE na minha consciência). E quando apenas interferem, sem persuadir (para falar assim), que JOGUE FORA! Interferir sem mudar, sem razão, sem sentido para mim (quem faz), é inútil. Lixo (ainda que reciclável ;) )
8) ´´[...] As palavras não me auxiliavam. Na verdade, atrapalhavam, de modo que eu preferiria dispensá-las de todo, ou reduzi-las pela metade. Não só as palavras mas também os pensamentos do poeta me eram estranhos. [...]``.
Sim! Eu, às vezes (a maioria), passo por isso! Ontem, por exemplo, quando ensaiava um monólogo. Eu não sei exatamente como isso acontece. Creio que uma coisa esteja ligada a outra, ou seja, não apreender inteiramente os pensamentos do poeta, faz de suas palavras (intermediadas pelo personagem, daí já são duas distâncias) algo tão distante que passe a ser tão superficial que, ao falar, passam mil coisas na cabeça, menos as falas! E se elas passam, é só a carcaça. Mas cadê a essência? O que fazer?! Não vejo outra alternativa a não ser a leitura repetitiva e extremamente detalhista do texto. É incrível como preciosos detalhes do meu personagem não são dados por ele, mas pelos outros, pela situação cênica, pelas misteriosas rubricas. É muito frustrante quando finalmente encontramos o personagem na nossa carne, no nosso estômago, perfeitamente exposto na partitura em carne viva e sincera e, quando abrimos a boca... BUM! Acabou-se. Uma MERDA (no sentido pejorativo). Acredito que um trabalho de voz bem feito ajude. [qual é a voz do personagem? Que timbre usaria? ...Depende do corpo, da anatomia, a qual depende do meio e do clima...] ´´-Ah, isso é exagero de detalhes, é desnecessário!``É o que dizem. Mas é esse o trabalho de ator! D-E-T-A-L-H-E. Nu. Cru. Puro. Pelo menos esse é o MEU trabalho. Sem entrar no mérito e voltando à questão, se a palavra tem de aparecer, antes, a leitura minuciosa, a apreenção TOTAL da essência do sentimento do autor, da obra (pesquisa externa é primordial), do personagem, trabalhar o corpo, a VOZ e a fala até ficar fluente, crível, boa para mim.
As vezes eu fico me pesquisando. O corpo me revela cosias mais fora das aulas (e cenas) do que nelas. mas é uma pesquisa sem porquê ou para onde. Só olhar. Mexer. Brincar. Dedos, cada articulação...Pálpebras...Bochechas. Há mil maneiras de fazer a mesma coisa! E sempre vai haver uma que ainda não fiz. Ser uma ´´auto-incógnita``. Buscar... always.
7) ´´[...] Sem esse ambiente eu não conseguiria recapturar a inspiração. Meus esforços não me persuadiam. Apenas interferiam na minha atuação. [...]``
A dependência do que fazemso pela primeira vez (e PARECE perfeito) é terrível! Se há qualquer inspiração (exito em usar essa palavra, particularmente) ela é livre e deve estar calcada em algo interno. Mas de fato é difícil desvencilharmo-nos do ambiente no qual uma partitura prévia já foi criada. E pior: sentimentos foram sucitados com aquela atmosfera. E onde foram parar nossos sentimentos quando somos colocados em outro espaço? Será que eram os NOSSOS sentimentos ou os do lugar? Eis a diferença. O fato é que o homem também é o meio. A grande solução talvez seja captar a essência do sentimento, das sensações, dos estados. Esses não são e nunca serão os mesmos porque estamos em constante mutação. Sabamos lidar com isso sem pânico. Outra problemática apontada é: qual é diferença entre persuadir e interferir? Primeiro, se meus atos e ´´esforços`` não convencem nem a mim mesmo, como poderão ser convincentes para quem os vê? Como diz minha professora de corpo Luzia, na USP, ´´se você finge que faz eu finjo que acredito``. O primeiro público, se é que isso existe, sou eu mesma (se bem que não seria mais eu, caso estivesse me convencendo; pelo menos não estaria INTEIRAMENTE na minha consciência). E quando apenas interferem, sem persuadir (para falar assim), que JOGUE FORA! Interferir sem mudar, sem razão, sem sentido para mim (quem faz), é inútil. Lixo (ainda que reciclável ;) )
8) ´´[...] As palavras não me auxiliavam. Na verdade, atrapalhavam, de modo que eu preferiria dispensá-las de todo, ou reduzi-las pela metade. Não só as palavras mas também os pensamentos do poeta me eram estranhos. [...]``.
Sim! Eu, às vezes (a maioria), passo por isso! Ontem, por exemplo, quando ensaiava um monólogo. Eu não sei exatamente como isso acontece. Creio que uma coisa esteja ligada a outra, ou seja, não apreender inteiramente os pensamentos do poeta, faz de suas palavras (intermediadas pelo personagem, daí já são duas distâncias) algo tão distante que passe a ser tão superficial que, ao falar, passam mil coisas na cabeça, menos as falas! E se elas passam, é só a carcaça. Mas cadê a essência? O que fazer?! Não vejo outra alternativa a não ser a leitura repetitiva e extremamente detalhista do texto. É incrível como preciosos detalhes do meu personagem não são dados por ele, mas pelos outros, pela situação cênica, pelas misteriosas rubricas. É muito frustrante quando finalmente encontramos o personagem na nossa carne, no nosso estômago, perfeitamente exposto na partitura em carne viva e sincera e, quando abrimos a boca... BUM! Acabou-se. Uma MERDA (no sentido pejorativo). Acredito que um trabalho de voz bem feito ajude. [qual é a voz do personagem? Que timbre usaria? ...Depende do corpo, da anatomia, a qual depende do meio e do clima...] ´´-Ah, isso é exagero de detalhes, é desnecessário!``É o que dizem. Mas é esse o trabalho de ator! D-E-T-A-L-H-E. Nu. Cru. Puro. Pelo menos esse é o MEU trabalho. Sem entrar no mérito e voltando à questão, se a palavra tem de aparecer, antes, a leitura minuciosa, a apreenção TOTAL da essência do sentimento do autor, da obra (pesquisa externa é primordial), do personagem, trabalhar o corpo, a VOZ e a fala até ficar fluente, crível, boa para mim.
sexta-feira, 26 de junho de 2009
TRABALHO DE ATOR!!
Queridos! Comecei um profundo estudo do Método de Stanislavski com a leitura de A Preparação do Ator. Fiz anotações a respeito de alguns pontos, como auto-avaliação da minha própria técnica de atuar. Questionar-se, por no papel, partir para a prática, voltar atrás, tudo é extremamente necessário. Achei interessante expor algumas questões, tanto para quem estuda teatro, quanto para quem não conhece a fundo as estruturas desse ´´lugar de onde se ve``!=D
Já que aqui é um lugar de voz, de arte, de inquietações...que comecemos!
CAPÍTULO I: A Primeira Prova
1)´´[...] Senti-me tomado pelo desejo de atuar. Sem querer, minhas mãos, meus braços, meus músculos faciais, qualquer coisa dentro de mim, tudo se pôs a mexer [...]``.
O desejo é constante. É uma flama que vem do nada e queima de dentro para fora. Como se o corpo respondesse de imediato ao ato-reflexo. Dura um tempo (às vezes um bom tempo - min, hrs, dias...) e vai-se como veio.
[Por exemplo, what am I doing here? Will this work out for something at all? Will I do ir REALLY? O trabalho do ator relies on the ACTOR ONLY]
Pausa.
2) ´´[...]Eu trabalhava quase cinco horas sem ver o tempo passar. Isso me pareceu uma prova de que minha inspiração era real [...]``
É interessante perceber como, quando saímos da ´´normal consciência``, fica comprovado de que a dita inspiração veio e ´´estamos fazendo certo`` (se é que há um certo). O tempo também é outro fator de medida de qualidade. Se mentivermos por muito tempo é porque foi bom. ARGH! E se eu não conseguir manter? Vai pro lixo meus poucos minutos? E a INTENSIDADE (?) deles, onde fica? Reside nisso a qualidade? para mim tem que ser objtivo (ou não), conciso, inteiro e IN[TENSO].
3)´´[...]É difícil despertar a vontade criadora; matá-la é facílimo[...]``
Isso é verdade, embora haja dias em que a ´´vontade criadora`` é infinda. Mas quando não, é árduo, exaustivo e desgastante desenterrar das entranhas essa vontade. Bom mesmo seria mandar nesses ´´instintos`` (pq não deixam de ser). Mas nem sempre posso (ou tenho a ilusão de às vezes poder. E ilusao é DESTRUIDORA). Essa vontade parece um parto. Parir esse filho DÓI, demora. Antes vem a espera terrível... (pior é quando se tem um prazo... Você trabalha até se tornar dor física). E depois vem a contração que você pensa ser a ´´vontade``, mas logo vem a decepção e... não é. É como se, até Ela chegar, você tivesse que passar por mil mortes de idéias até ressuscitar. E quando nasce é um alívio. Mas uma faca, por exemplo, arruina tudo. Só enfiar na criação (um ato simples) e ela morre. Veio difícil e foi fácil Não nos acostumamos a isso, vai contra nossa suposta lógica. Temos de inventar outra lógica então. Quem disse que era fácil, afinal?
4)´´[...] O ator, como o soldado, deve submeter-se a uma disciplina férrea [...]``.
Eu concordo, mas nem por isso acho fácil. Essa minha tentativa, por exemplo, de fazer um estudo analítico de Stanislavski e de mim: requer MTA disciplina. O problema maior é o imediatismo. Resultados AGORA JÁ. Atuação, principalmente se falarmos de técnica, requer tempo... TEMPO para jogar tudo fora e recomeçar de novo e de novo... E quando chegamos ao fim da carreira (no meu caso, a morte) começamos a realmente ter resultados... Essa é a triste beleza do árduo e do efêmero. Mas disciplina é DIFÍCIL, principalmente se não for ´´pleasant``, se cansa, se dói. Então nos apoiamos na simples vontade, fé, amor, paixão, ou o que seja que nos dá força quando não temos mais força. Porque se deixar assim, só por nossas ´´intensões``, ficaremos na´´ miséria do teatro`` (como diz Teixeira Coelho) que acham que se faz por aí...
5)´´[...] Rakhmanov diz: o primeiro ensaio é um acontecimento na vida do artista, que dele deve guardar a melhor impressão possível [...]``.
Detesto a sina das primeiras impressões! São tão injustas! Vai contra a oscilação do homem, que nunca pode ser julgado por UM estado, já que é novo toda hora. E se o primeiro ensaio não tiver a melhor impressão de mim? Daí não vai ser um elenco uníssino... (aconteceu isso no meu primeiro ensaio de O Matadouro Municipal, de T. Williams)...Por isso aposto no segundo ensaio!=D E no terceiro, e no quarto... (como no Matadouro Municipal =P) Em TODOS OS ENSAIOS, DE QUALQUER MANEIRA, não importa o que aconteça, sempre tentar estar INTEIRO, aqui e agora, com toda a bagagem que isso possa vir a trazer.
Já que aqui é um lugar de voz, de arte, de inquietações...que comecemos!
CAPÍTULO I: A Primeira Prova
1)´´[...] Senti-me tomado pelo desejo de atuar. Sem querer, minhas mãos, meus braços, meus músculos faciais, qualquer coisa dentro de mim, tudo se pôs a mexer [...]``.
O desejo é constante. É uma flama que vem do nada e queima de dentro para fora. Como se o corpo respondesse de imediato ao ato-reflexo. Dura um tempo (às vezes um bom tempo - min, hrs, dias...) e vai-se como veio.
[Por exemplo, what am I doing here? Will this work out for something at all? Will I do ir REALLY? O trabalho do ator relies on the ACTOR ONLY]
Pausa.
2) ´´[...]Eu trabalhava quase cinco horas sem ver o tempo passar. Isso me pareceu uma prova de que minha inspiração era real [...]``
É interessante perceber como, quando saímos da ´´normal consciência``, fica comprovado de que a dita inspiração veio e ´´estamos fazendo certo`` (se é que há um certo). O tempo também é outro fator de medida de qualidade. Se mentivermos por muito tempo é porque foi bom. ARGH! E se eu não conseguir manter? Vai pro lixo meus poucos minutos? E a INTENSIDADE (?) deles, onde fica? Reside nisso a qualidade? para mim tem que ser objtivo (ou não), conciso, inteiro e IN[TENSO].
3)´´[...]É difícil despertar a vontade criadora; matá-la é facílimo[...]``
Isso é verdade, embora haja dias em que a ´´vontade criadora`` é infinda. Mas quando não, é árduo, exaustivo e desgastante desenterrar das entranhas essa vontade. Bom mesmo seria mandar nesses ´´instintos`` (pq não deixam de ser). Mas nem sempre posso (ou tenho a ilusão de às vezes poder. E ilusao é DESTRUIDORA). Essa vontade parece um parto. Parir esse filho DÓI, demora. Antes vem a espera terrível... (pior é quando se tem um prazo... Você trabalha até se tornar dor física). E depois vem a contração que você pensa ser a ´´vontade``, mas logo vem a decepção e... não é. É como se, até Ela chegar, você tivesse que passar por mil mortes de idéias até ressuscitar. E quando nasce é um alívio. Mas uma faca, por exemplo, arruina tudo. Só enfiar na criação (um ato simples) e ela morre. Veio difícil e foi fácil Não nos acostumamos a isso, vai contra nossa suposta lógica. Temos de inventar outra lógica então. Quem disse que era fácil, afinal?
4)´´[...] O ator, como o soldado, deve submeter-se a uma disciplina férrea [...]``.
Eu concordo, mas nem por isso acho fácil. Essa minha tentativa, por exemplo, de fazer um estudo analítico de Stanislavski e de mim: requer MTA disciplina. O problema maior é o imediatismo. Resultados AGORA JÁ. Atuação, principalmente se falarmos de técnica, requer tempo... TEMPO para jogar tudo fora e recomeçar de novo e de novo... E quando chegamos ao fim da carreira (no meu caso, a morte) começamos a realmente ter resultados... Essa é a triste beleza do árduo e do efêmero. Mas disciplina é DIFÍCIL, principalmente se não for ´´pleasant``, se cansa, se dói. Então nos apoiamos na simples vontade, fé, amor, paixão, ou o que seja que nos dá força quando não temos mais força. Porque se deixar assim, só por nossas ´´intensões``, ficaremos na´´ miséria do teatro`` (como diz Teixeira Coelho) que acham que se faz por aí...
5)´´[...] Rakhmanov diz: o primeiro ensaio é um acontecimento na vida do artista, que dele deve guardar a melhor impressão possível [...]``.
Detesto a sina das primeiras impressões! São tão injustas! Vai contra a oscilação do homem, que nunca pode ser julgado por UM estado, já que é novo toda hora. E se o primeiro ensaio não tiver a melhor impressão de mim? Daí não vai ser um elenco uníssino... (aconteceu isso no meu primeiro ensaio de O Matadouro Municipal, de T. Williams)...Por isso aposto no segundo ensaio!=D E no terceiro, e no quarto... (como no Matadouro Municipal =P) Em TODOS OS ENSAIOS, DE QUALQUER MANEIRA, não importa o que aconteça, sempre tentar estar INTEIRO, aqui e agora, com toda a bagagem que isso possa vir a trazer.
quinta-feira, 4 de junho de 2009
VEM VAMOS EMBORA, QUE ESPERAR NÃO É SABER
´´ Em vista da presença da Polícia Militar desde a madrugada de ontem na frente da Reitoria da USP e de outros prédios para impedir o piquete dos funcionários, considerando que a PM não entra no campus desde a ditadura militar, há 30 anos, funcionários e estudantes manifestaram- se hoje na frente da Reitoria contrários à ação policial por ela impedir a ação sindical``.
Os funcionários entraram em greve. Os alunos entraram em greve. Na sala da minha casa tem um cartaz que diz: ´´ Mexeu com um, mexeu com todos. Greve pela readmissão do Brandão``. ´´Estudantes paralizam em protesto a UNIVESP``. Uma revolução eclode a minha frente, assembléias eloqüentes, um ato de vandalismo que destrói o prédio da reitoria, feito pelos alunos. E então, olham pra mim e me alcunham positivista, individualista por não ter mostrado a minha voz.
Qual é a voz que exigem de mim? Querem que abrace um causa infundada? Sim, pois eu que vejo o monstro nas entranhas percebo um paradoxo vergonhoso: alunos condenam a entrada da PM, alegando repressão dos direitos a manifestação. Contudo eles mesmos organizam piquetes com carteiras trancando as salas de aula e a biblioteca, para impedirem os alunos de estudar. Ameaças, por partes dos sindicalistas, são feitas aos professores que insistem em ministrar as aulas a um considerável grupo de insistentes estudantes. E ainda bradam que lutam contra a repressão?
O fato é que o real motivo da greve é ocultado. Existe uma força maior que manipula os acontecimentos para que o movimento granhe dimensões maiores. A UNIVESP, por exemplo. Entendo a revolta estudantil a respeito do ensino a distância. E confesso comungar dessa indignação. Equalizar o ensino presencial à informação via internet é ilusão e absurdo. Contudo, isso não me permite invardir um prédio público,quebrar vidros, computadores, agredir a moral pública em função do meu protesto.
Perguntam-me: tens coragem de ser contra a greve? Por acaso não pensas nos funcionários, nos seus filhos que serão educados por professores com ensino a distância, no Brandão que foi demitido injustamente?
E eu respondo: se sou a favor da liberdade de expressão, da ética, da não violência, do raciocínio e da lógica, e, acima de tudo, da minha arte, então sim, sou contra ESSA greve. Eu tenho o direito de lutar pela justiça, mas sem que isso interfira na liberdade e na integridade do outro. Se quero o respeito, devo dar respeito. Brandão carrega processos nas costas de estupro e outras infrações, e posso deixar que lute e me sacrifique por um ser contraditório? A grave seria válida se não usasse de meios repressivos. Fui violada. Foi tirado de mim (e incluo meus colegas de teatro e tantos outros) o direito de estudar, de escolher, de criticar. Tenho que, contra minha vontade, aderir a uma causa que não é minha. Se vamos ao teatro para ter aulas encontramos um grupo de alunos prontos a nos impedir de tanto...em nome de que? De quem?
Render-me a essa greve é negar a minha arte e, portanto, negar a mim mesma, já que é disso e através disso que vivo. É negar o poder que minha arte tem de protesto. O que digo é que justiça não é feita com repressão, agressão. O processo de aprendizagem será prejudicado sobremaneira... E esse não é o objetivo de uma universidade? Conhecimento? Professores querem dar aulas, alunos querem aprender... E outros iludem-se com falsos cantos revolucionários. Neste caso, ser contra-revolucionário, como me ponho, não é ser contra a revoçlução. É justamente firmar-se a favor dos direitos humanos. Que se façam protestos! Que os funcionarios lutem por seus direitos! Que nós estudantes mostremos nossa força e indignação pela Univesp, mas que isso não prejudique a outrem, não contradiga nossos próprios ideais, não agrida.
Eu ainda me ponho, no sagrado teatral, em crítica. Minha voz não será abafada pela injustiça porque a sinfonia do justo é maior em liberdade. Racionalidade nunca foi um pecado. Sinto pelos que crêem na mudança pela força. Sinto pelos que pecam pelo instinto. Sinto, também, pelos que querem me calar, pois minha voz não está mais em mim. Que não chamem o silêncio de individualismo. Porque depois da guerra, é justamente ele que ensurdece. Que saibam ver pelo que realmente lutam e como lutam. Que as pessdoas não se tornem ´´soldados, quase todos perdidos, de armas na mão`` . Não nos rendamos a intimidações, ´´porque ainda fazem da flor seu mais forte refrão, e acreditam nas flores vencendo o canhão``.
Os funcionários entraram em greve. Os alunos entraram em greve. Na sala da minha casa tem um cartaz que diz: ´´ Mexeu com um, mexeu com todos. Greve pela readmissão do Brandão``. ´´Estudantes paralizam em protesto a UNIVESP``. Uma revolução eclode a minha frente, assembléias eloqüentes, um ato de vandalismo que destrói o prédio da reitoria, feito pelos alunos. E então, olham pra mim e me alcunham positivista, individualista por não ter mostrado a minha voz.
Qual é a voz que exigem de mim? Querem que abrace um causa infundada? Sim, pois eu que vejo o monstro nas entranhas percebo um paradoxo vergonhoso: alunos condenam a entrada da PM, alegando repressão dos direitos a manifestação. Contudo eles mesmos organizam piquetes com carteiras trancando as salas de aula e a biblioteca, para impedirem os alunos de estudar. Ameaças, por partes dos sindicalistas, são feitas aos professores que insistem em ministrar as aulas a um considerável grupo de insistentes estudantes. E ainda bradam que lutam contra a repressão?
O fato é que o real motivo da greve é ocultado. Existe uma força maior que manipula os acontecimentos para que o movimento granhe dimensões maiores. A UNIVESP, por exemplo. Entendo a revolta estudantil a respeito do ensino a distância. E confesso comungar dessa indignação. Equalizar o ensino presencial à informação via internet é ilusão e absurdo. Contudo, isso não me permite invardir um prédio público,quebrar vidros, computadores, agredir a moral pública em função do meu protesto.
Perguntam-me: tens coragem de ser contra a greve? Por acaso não pensas nos funcionários, nos seus filhos que serão educados por professores com ensino a distância, no Brandão que foi demitido injustamente?
E eu respondo: se sou a favor da liberdade de expressão, da ética, da não violência, do raciocínio e da lógica, e, acima de tudo, da minha arte, então sim, sou contra ESSA greve. Eu tenho o direito de lutar pela justiça, mas sem que isso interfira na liberdade e na integridade do outro. Se quero o respeito, devo dar respeito. Brandão carrega processos nas costas de estupro e outras infrações, e posso deixar que lute e me sacrifique por um ser contraditório? A grave seria válida se não usasse de meios repressivos. Fui violada. Foi tirado de mim (e incluo meus colegas de teatro e tantos outros) o direito de estudar, de escolher, de criticar. Tenho que, contra minha vontade, aderir a uma causa que não é minha. Se vamos ao teatro para ter aulas encontramos um grupo de alunos prontos a nos impedir de tanto...em nome de que? De quem?
Render-me a essa greve é negar a minha arte e, portanto, negar a mim mesma, já que é disso e através disso que vivo. É negar o poder que minha arte tem de protesto. O que digo é que justiça não é feita com repressão, agressão. O processo de aprendizagem será prejudicado sobremaneira... E esse não é o objetivo de uma universidade? Conhecimento? Professores querem dar aulas, alunos querem aprender... E outros iludem-se com falsos cantos revolucionários. Neste caso, ser contra-revolucionário, como me ponho, não é ser contra a revoçlução. É justamente firmar-se a favor dos direitos humanos. Que se façam protestos! Que os funcionarios lutem por seus direitos! Que nós estudantes mostremos nossa força e indignação pela Univesp, mas que isso não prejudique a outrem, não contradiga nossos próprios ideais, não agrida.
Eu ainda me ponho, no sagrado teatral, em crítica. Minha voz não será abafada pela injustiça porque a sinfonia do justo é maior em liberdade. Racionalidade nunca foi um pecado. Sinto pelos que crêem na mudança pela força. Sinto pelos que pecam pelo instinto. Sinto, também, pelos que querem me calar, pois minha voz não está mais em mim. Que não chamem o silêncio de individualismo. Porque depois da guerra, é justamente ele que ensurdece. Que saibam ver pelo que realmente lutam e como lutam. Que as pessdoas não se tornem ´´soldados, quase todos perdidos, de armas na mão`` . Não nos rendamos a intimidações, ´´porque ainda fazem da flor seu mais forte refrão, e acreditam nas flores vencendo o canhão``.
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