segunda-feira, 13 de abril de 2009

SHALL WE DANCE?

Não, não tires a minha voz! Não depois de ter cantado a vida, as injustiças, os prantos. Não depois de ter clamado pelo bom e pelo melhor. Também não me tires teus ouvidos! Oh, não! Não, não me entendes? Não quero um só, quero os dois! Mantenha-os bem atentos porque meu canto, agora, é bem baixinho. Constante e muito baixinho. Contudo jamais nulo.
Minha voz precisa arrastar o peso da culpa pelas verdades relativas, que são relativamente traidoras e carrascas! Sendo assim meu canto é fraco, mas ainda persiste. Escute, meu bem! Veja que as palavras dançam um tango que queima em revolta passiva, apaixonada. E sapateia e rodopia em um chão que falta. E é aí justamente que entram teus ouvidos! O tão necessário palco para os pés das minhas melodias dançarinas.
O tango é pesado, mon amour. É triste. Assim como a voz que está presa no murmúrio. Mas ainda é som! E se o ouvires verás que choram os erros. Se o escutares, ainda mais atentamente, tua atenção verá que as lágrimas vão se dissolvendo na calma de teus olhos prontos e precisos. E a voz erguerá uma nota alta, que rouba a dança do pesar...E entao....A valsa! A valsa intensa e sublime de quem ressurge, e permanece, a contragosto de alguns, sempre na dança.

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