sábado, 10 de julho de 2010

AI!

Tem coisas que a gente não explica. Ás vezes eu tenho uma vontade enorme de chorar, como agora. E não é por nada, é por tudo! Não que o nada não fosse alguma coisa...

T.: É pelo que, B.? Você sabe o que é!
B.: Eu sei, mas não vou nomear. Não porque não quero, mas porque não posso!

Sabes, nem tudo precisa ser nomeado. O nome trai de qualquer forma! O fato é que eu choro. De mim verte água que não lava, parece que inunda.

I´m lost in the ocean. Meu corpo no mar, imerso no Novo Mundo. Minha cabeça cansada e voltada para a imensidão deserta do Velho Mundo, porque precisa desse velho ar.

O que eu faço, me afogo? Tento respirar na água do Novo Mundo? e o que eu faço com o Velho...

Ai.

Quero virar o mar pelo avesso. tudo tudo backwards.

´´ Oi nós, que viemos de outras terras, de outro mar!``... Eu ainda preciso acreditar que um grego pode falar, em grego, com um árabe e esse em árabe com o grego e eles se entenderão. SIM!

Dor.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Bebecões cão

CeNaI: Depauperamento.

Maquina erguida por silêncio mágico. Principescos náufragos perambulantes no vácuo.

Tu sabes o que é o nada? Eu não sei. Ninguém sabe! Ah, sim... Não vou saber descreve-lo e nem tu vai conseguir imaginar..MAS O ESFORÇO É PRECISO: branco.

Subiu descendo a escada desfeita em esteras tijolares.

CeNa II: Tá.

Al: OLha isso aqui.
Pb: Aham.
Al: Viu?
Pb: Quer bolacha?
Al: Ninguém foi.
Pb: Ah que bom, ele foi?^^

FOI QUEMNEM... Olha um cão! Eu posso chamar um cão de cão, porque quando eu olho pra ele não há melhor som ou nome que esse. Um bebê cão. BEBECÃO...B-e-b-e-c-a-o. Parece uma daquelas ervas de tempero: Vai Bebecão no chá?

DOIS cubos por favor, em forma de bolas, bolotinhas... e com espuma!

sábado, 26 de junho de 2010

DOS PULSOS DE MOZART

É noite. E o quarto estava escuro, não verei luz escapar por baixo da porta.
Entrei. Abriu-se. Uma vela, somente a luz de uma vela pela metade, ele, uma mesa.

A mesa... sustentava uma chaleira vermelha, arredondada, grande. Estava frio e a chaleira rubra respirava e fazia fumacinhas pela boca. Será que ela brincava? Eu bricava, toda vez que saía manhã a dentro, 2 GRADOS abaixo de zero. Fumacinhas dançantes pela boca e pelo nariz.

Ao lado da chaleira, a cuia. Prata, pequenina mas não o bastante para sumir frente a chaleira. Tinha erva fina e água até a boca. Também ela soltava fumacinha. Deveria estar quente. Meu corpo estava frio... ... senti o gosto de outrora, da nova infância, do pampa gaudério.

A vela logo ali e então, a máquia de escrever que sucumbia aos dedos dele: amigo. Camisa azul... Ele não estava com frio? barba grande... escrevia seu romance. E seus pensamentos pareciam tão afoitos que lhe escapavam pela boca, no seu idioma silhuetoso, vacilante, quase como várias curvas cruzantes de um compasso a girar.

Mirei seu pescoço. Onde estaria ele agora? este meu amigo que olhava para mim como uma irmã? PORQUE? O que foi feito dele, por onde passou aquele cabelo, e aquelas células, o que as modificaram? O que as mataram, o que as fizeram crescer? Por que tipo de ventos sua tez foi cortada? Onde dorme, meu carinhoso e livre amigo? Será que o tempo, essa ave que um dia flecharei, que tipo de marcas fez nessa face amiga, com suas garras?

Olho para o branco da mesa. Espaço vazio. A luz... como comunicá-la... Era a luz em que Beethoven, nas noites frias, escreveu a nona, no auge da sua agonia surda e gélida. O penumbra e a vela. Essa luz exatamente! Eu quase podia ver os pulsos de Mozart com as mangas de babado branco, atravessando a noite cavalgando melodias.
Olho para o lado e ouço..sim, a sinfonia! é da minha cabeça ou algum vizinho escutava?...

Meus olhos se inundam. sinto saudade da chaleira, do mate, do amigo. Temo por ele. QUero todo esse espaço gravado na minha alma. Sinto saudade.

A mesa, a chaleira, o mate e o amigo estão aqui. Sinto saudade do presente que vejo. Meu corpo co-habita com eles. Minha alma está em um não-lugar. Os vejo e me vejo décadas depois... Porque peguei carona nas asas do tempo, nesse segundo de contemplação

Ao meu amigo... deste não lugar em que estou e e um dia encontrará meu corpo que aqui estava... digo que o vejo como uma bandeira que tremula. O chamo liberdade.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

O SONHO

Meus olhos se abriram fechados. De minha cama.

Levantei-tarei-to... Pisava eu em ondas? Circulava em meu corpo o álcool que bambaleava e cambaleava meus pés em uma dança frenética?

Ruído. Música... Rock and Roll assusta-dor!

O guarda roupa dançava...bem como o corredor, por qual andava em curiosa dificuldade, e me esmagava pelas laterais e pelos cantos.

ESCADA-RIA... descida a passos falhos...

AMUSICA RUÍDO AUMENTAVA e não pedia licença a meus sentidos.

Até que... fim da escada, começo da sala e... O HORROR. Pisava o teto! Tudo estava invertido, ao avesso, de cabeça para baixo... o sofá...a tv, a mesa... A tv caiu no chão-teto em que estava...

PLAFT..FINN..RSIUTCHUO. atrás de mim, como eu...Patrícia, fefa, Jessy encolhidinhas tentando inutilmente mudar o canal distorcido..

Elas tremiam em convulsão... Eu tremia em terremoto. Olho a frente e um velho, gordo, camisa branca manchada aberta, com um cigarro na boca e forte cheiro de rum. Minha boca abre:

- QUEM ÉS TU?
- EU moro aqui.
- Nao!
- O ÁS nunca pertenceu ao baralho. Jogar é Agora com j e menos um A. O ÁS não existe, a espada é um delírio. CERVEJA!

panico me assaltou quando uma figura esguia pulava incessantemente na porta de entrada....
ROSTO TORTO, MORTO, VÍTREO.

Grito e abro a janela... Corpo nu que pende da grade...pende na diagonal de costas. Grito de Horror que sai dos poros do corpo suspenso pelos riscos férreos.

Minha boca abre de novo:

EU NÃO SOU KAFKA! Não sou Kafka! Sou Kafka! Kafka!... FKA...FICA..nao ficar!

Meus olhos se abrem pra se fechar de olhos fechados mas abertos. Convulsão. coração que bate.

ABRO OS OLHOS.

acaba pra começar.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

PEQUENO DEVANEIO DADÁ

Na ralidade a coisa se passa de maneira bstante sólidada, no sentido de que tudo é relativo.

Não há gente no sertão...Quem canta seus males espanta...Então tudo é bastante. Que de tão relativo passa a ser um tanto quanto mediada pelas aproximações.

Foram 35 entradas, na realidade.

terça-feira, 11 de maio de 2010

GRITO, EU.

CENA I: O desespero .

Pt. Brook disse: no teatro é possível experimentar a realidade absoluta da extraordinária presença do vazio, em contrate com a confusão estéril de uma cabeça entulhada de pensamentos.

De fato, tememos o vazio. Merda de medo. Uma MERDA, inclusive no sentido teatral, porque o medo me trás boa sorte, sempre foi assim. Quanto mais medo eu tenho da coisa, mais eu acredito nela. Talvez essa eme ê dê ô seja a razão pela qual eu ainda insisto em permanecer no insuportável: a banal idade.

Porque, diga-me, porque se faz teatro? ´´Tu serias mais útil com um pão na mão do que com uma batuta``. COMO? Utilidade... As pessoas não se vêem mais, isso é um absurdo! Não há diálogo, só há uma inútil e manca CONVENÇÃO.

O MUNDO NÃO EXPERIENCIA MAIS. O homem não vê, não toca, não entende a si e ao outro. Entender e experiênciar são a mesma coisa!

Um pão... o meu pão começa com T! Tão! O teatro é uma corda que puxa da lama maquinal do não humano.

CENA II: AHn?

Vivo o teatro e visito a vida. Se não for assim, não finja que é e assuma! Discursos contraditórios, falhos e hipócritas não me interessam. Prefiro o silêncio, que é sincero. Prefiro a ausência que é justa. Se pisares no tablado AJA para ser digno se ser uma coisa do ato: um ator.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

CENA 1:

''Será esse o caminho
Navegar assim, sozinho,
Sem alguém que nos espere no cais?''
...
... Dei-me conta de que sou eu a mulher com o lencinho branco a dizer adeus. A mesma que retorna todos os dias ao mesmo lugar, cumprimentando os cotidianos pescadores, assistindo o regresso dos grandes navios que chegam abarrotados de gente saudosa ... Mas nunca traz aquele que partiu. São navios devoradores, navios que trazem a angústia terrível da ESPERA e da SAUDADE.

CENA 2:

... ... Também dei-me conta que sou o ser alado que parte com seu navio...Ou melhor, Eu sou o busto posto na proa...Que abre os mares, saúda Poseidon, se aventura no infinito, nas ondas que, por vezes, espelham os céu, as estrelas... Mas quando o navio retorna nào encontro os olhos queridos... Há ninguém. Então eu me dou conta de que pertenço ao navio. As mãos que me afagam sao os ventos.

Eles.