É noite. E o quarto estava escuro, não verei luz escapar por baixo da porta.
Entrei. Abriu-se. Uma vela, somente a luz de uma vela pela metade, ele, uma mesa.
A mesa... sustentava uma chaleira vermelha, arredondada, grande. Estava frio e a chaleira rubra respirava e fazia fumacinhas pela boca. Será que ela brincava? Eu bricava, toda vez que saía manhã a dentro, 2 GRADOS abaixo de zero. Fumacinhas dançantes pela boca e pelo nariz.
Ao lado da chaleira, a cuia. Prata, pequenina mas não o bastante para sumir frente a chaleira. Tinha erva fina e água até a boca. Também ela soltava fumacinha. Deveria estar quente. Meu corpo estava frio... ... senti o gosto de outrora, da nova infância, do pampa gaudério.
A vela logo ali e então, a máquia de escrever que sucumbia aos dedos dele: amigo. Camisa azul... Ele não estava com frio? barba grande... escrevia seu romance. E seus pensamentos pareciam tão afoitos que lhe escapavam pela boca, no seu idioma silhuetoso, vacilante, quase como várias curvas cruzantes de um compasso a girar.
Mirei seu pescoço. Onde estaria ele agora? este meu amigo que olhava para mim como uma irmã? PORQUE? O que foi feito dele, por onde passou aquele cabelo, e aquelas células, o que as modificaram? O que as mataram, o que as fizeram crescer? Por que tipo de ventos sua tez foi cortada? Onde dorme, meu carinhoso e livre amigo? Será que o tempo, essa ave que um dia flecharei, que tipo de marcas fez nessa face amiga, com suas garras?
Olho para o branco da mesa. Espaço vazio. A luz... como comunicá-la... Era a luz em que Beethoven, nas noites frias, escreveu a nona, no auge da sua agonia surda e gélida. O penumbra e a vela. Essa luz exatamente! Eu quase podia ver os pulsos de Mozart com as mangas de babado branco, atravessando a noite cavalgando melodias.
Olho para o lado e ouço..sim, a sinfonia! é da minha cabeça ou algum vizinho escutava?...
Meus olhos se inundam. sinto saudade da chaleira, do mate, do amigo. Temo por ele. QUero todo esse espaço gravado na minha alma. Sinto saudade.
A mesa, a chaleira, o mate e o amigo estão aqui. Sinto saudade do presente que vejo. Meu corpo co-habita com eles. Minha alma está em um não-lugar. Os vejo e me vejo décadas depois... Porque peguei carona nas asas do tempo, nesse segundo de contemplação
Ao meu amigo... deste não lugar em que estou e e um dia encontrará meu corpo que aqui estava... digo que o vejo como uma bandeira que tremula. O chamo liberdade.
sábado, 26 de junho de 2010
segunda-feira, 21 de junho de 2010
O SONHO
Meus olhos se abriram fechados. De minha cama.
Levantei-tarei-to... Pisava eu em ondas? Circulava em meu corpo o álcool que bambaleava e cambaleava meus pés em uma dança frenética?
Ruído. Música... Rock and Roll assusta-dor!
O guarda roupa dançava...bem como o corredor, por qual andava em curiosa dificuldade, e me esmagava pelas laterais e pelos cantos.
ESCADA-RIA... descida a passos falhos...
AMUSICA RUÍDO AUMENTAVA e não pedia licença a meus sentidos.
Até que... fim da escada, começo da sala e... O HORROR. Pisava o teto! Tudo estava invertido, ao avesso, de cabeça para baixo... o sofá...a tv, a mesa... A tv caiu no chão-teto em que estava...
PLAFT..FINN..RSIUTCHUO. atrás de mim, como eu...Patrícia, fefa, Jessy encolhidinhas tentando inutilmente mudar o canal distorcido..
Elas tremiam em convulsão... Eu tremia em terremoto. Olho a frente e um velho, gordo, camisa branca manchada aberta, com um cigarro na boca e forte cheiro de rum. Minha boca abre:
- QUEM ÉS TU?
- EU moro aqui.
- Nao!
- O ÁS nunca pertenceu ao baralho. Jogar é Agora com j e menos um A. O ÁS não existe, a espada é um delírio. CERVEJA!
panico me assaltou quando uma figura esguia pulava incessantemente na porta de entrada....
ROSTO TORTO, MORTO, VÍTREO.
Grito e abro a janela... Corpo nu que pende da grade...pende na diagonal de costas. Grito de Horror que sai dos poros do corpo suspenso pelos riscos férreos.
Minha boca abre de novo:
EU NÃO SOU KAFKA! Não sou Kafka! Sou Kafka! Kafka!... FKA...FICA..nao ficar!
Meus olhos se abrem pra se fechar de olhos fechados mas abertos. Convulsão. coração que bate.
ABRO OS OLHOS.
acaba pra começar.
Levantei-tarei-to... Pisava eu em ondas? Circulava em meu corpo o álcool que bambaleava e cambaleava meus pés em uma dança frenética?
Ruído. Música... Rock and Roll assusta-dor!
O guarda roupa dançava...bem como o corredor, por qual andava em curiosa dificuldade, e me esmagava pelas laterais e pelos cantos.
ESCADA-RIA... descida a passos falhos...
AMUSICA RUÍDO AUMENTAVA e não pedia licença a meus sentidos.
Até que... fim da escada, começo da sala e... O HORROR. Pisava o teto! Tudo estava invertido, ao avesso, de cabeça para baixo... o sofá...a tv, a mesa... A tv caiu no chão-teto em que estava...
PLAFT..FINN..RSIUTCHUO. atrás de mim, como eu...Patrícia, fefa, Jessy encolhidinhas tentando inutilmente mudar o canal distorcido..
Elas tremiam em convulsão... Eu tremia em terremoto. Olho a frente e um velho, gordo, camisa branca manchada aberta, com um cigarro na boca e forte cheiro de rum. Minha boca abre:
- QUEM ÉS TU?
- EU moro aqui.
- Nao!
- O ÁS nunca pertenceu ao baralho. Jogar é Agora com j e menos um A. O ÁS não existe, a espada é um delírio. CERVEJA!
panico me assaltou quando uma figura esguia pulava incessantemente na porta de entrada....
ROSTO TORTO, MORTO, VÍTREO.
Grito e abro a janela... Corpo nu que pende da grade...pende na diagonal de costas. Grito de Horror que sai dos poros do corpo suspenso pelos riscos férreos.
Minha boca abre de novo:
EU NÃO SOU KAFKA! Não sou Kafka! Sou Kafka! Kafka!... FKA...FICA..nao ficar!
Meus olhos se abrem pra se fechar de olhos fechados mas abertos. Convulsão. coração que bate.
ABRO OS OLHOS.
acaba pra começar.
sexta-feira, 4 de junho de 2010
PEQUENO DEVANEIO DADÁ
Na ralidade a coisa se passa de maneira bstante sólidada, no sentido de que tudo é relativo.
Não há gente no sertão...Quem canta seus males espanta...Então tudo é bastante. Que de tão relativo passa a ser um tanto quanto mediada pelas aproximações.
Foram 35 entradas, na realidade.
Não há gente no sertão...Quem canta seus males espanta...Então tudo é bastante. Que de tão relativo passa a ser um tanto quanto mediada pelas aproximações.
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